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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Procrastinar

Prontos... agora é que foi tudo às favas!
Algo em comum que reparei nas pessoas que reclamam por tudo e por nada, é que não têm bom conhecimento do vocabulário português para além de expressões como: "Não gosto"; "A mim não me enganam"; "Vou à DECO"; etc...
Portanto uma boa forma de lidar com este tipo de situações, é disparar com uma barbaridade, digamos que, verbalmente pesada.
Então, eu, tinha por hábito recorrer à maravilhosa palavra procrastinar, pois desta forma nunca mentia... e o queixoso, lá aceitava a razão, pois não queria dar a perceber que é estúpido!

- É como lhe digo Sr. Acácio, estamos a procrastinar na medida do possível.
- Estão o quê?
- A procrastinar na medida do possível para o ajudar.
- Err... heee...
- Portanto é uma questão de aguardar.
- Ah! Está bem. Está bem.


Até aqui, tudo corria bem. Mas agora... os Gato Fedorento lixaram tudo.
Enfim...


sábado, 18 de outubro de 2008

Afinal somos o que somos ou nem por isso?

Tenho em mim crer que as pessoas se desvalorizam! Independentemente do contexto, em menor ou maior escala, as pessoas desvalorizam-se.
Tentamos fazer crer que somos o que somos através de acções, palavras o que for... mas raramente através de convicções. Pelo menos verdadeiras... e pessoais, ou personalizadas.
Com isto pretendo definir aqueles que se revelam com um espírito idóneo de ser próximo ou empático com os que o rodeiam. Ou seja: as suas convicções são orientadas na perspectiva dos outros e não da sua... ainda que, em última análise, seja do seu interesse, logo, justificação de ser entendido como uma convicção pessoal, a verdade é que os princípios são em primeiro lugar pessoais e só depois colectivos. Portanto, defender por princípio algo que é útil aos outros (ei. como defender igualdade) é reflexo de uma pretensão inferior.

Em suma, e porque julgo que não me fiz entender, a fragilidade da nossa personalidade é a base da mentira, da inveja, da desconfiança e afins. Porque temos em baixa conta a nossa pessoa, somos aptos a mentir (esconder), invejar (cobiçar), desconfiar (duvidar dos outros)... mais curioso é este último do desconfiar, porque consiste em duvidar de outro comparativamente à nossa perspectiva. Se eu desconfio que alguém mente, estou a comparar inevitavelmente com a minha noção ou capacidade de mentir... e como sou um fulano que consegue mentir, que tem receios e segredos, faço disso alvo no outro! Em suma... convivo com um eu fraco e medíocre!

Curiosamente não acho que é mau ter noção que nos desvalorizamos, pois isso serve de motor para tentarmos ser melhores, ou seja para ocultarmos esta fragilidade. Porém não deixamos de o ser, porque se nos tivessemos em conta de forma exclusivamente positiva, seriamos uns incapazes em evoluir.
Outra razão para não achar mau EU ter noção disto assim, é que tenho a vantagem de acreditar que aquele que está perante mim irá, no fundo, comparar-se de forma inferior a mim... e,claro, vice versa. Mas eu funciono com isso em mente, e o outro?

A prova disto é que poucos são, aqueles que defendem um princípio pessoal que seja de carácter moral e egoísta. Sublinhe-se o moral e egoísta, pois isto choca com a liberdade alheia... e é antagónico ser-se moralmente egoísta! Penso eu de que!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Homem, esse pequeno caos!

Trinómio de caos!

 

Um é pouco, dois é bom... três é demais.

Três... três... tudo é trio.

A engenharia propõe o triângulo como uma forma geométrica perfeita. A física descodifica o universo com leis: recorrendo ao reducionismo, três. A teologia cristã trinitária apresenta o uno em três.

Triângulo. Três. Vértices.

A Natureza obedece a regras que, a seu tempo, vão sendo definidas pelo homem. Elas já existem, porém o homem as definirá. Pressupostos? Falsos silogismos? Talvez... ainda assim, constituem a base do nosso entendimento.

O homem, tal como o observo, possui os seus triângulos. Os seus trinómios. Pai, mãe, filho. Avô, pai, filho. Desejo, vontade, acção. Fome, ar, vida. Suor, sangue, lágrimas. Inteligência, consciência, voz. (etc.)

De todas as formas em que três vértices são cúmplices, há uma que ao homem parece não aplicar-se. Não funciona... Simplesmente não funciona.

Egoísmo, inveja, ódio.

Este é um dos poucos conjuntos que me faz confusão, porque resume-se a três eus muito íntimos. Qualquer observação sobre relações, cujo triângulo, contenha um vértice deste trinómio, sumariamente, não funciona. E nestes casos a máxima “três é demais” faz todo o sentido, porém vai contra as leis da Natureza… onde o triângulo devia ser harmonioso.

O homem é conflituoso, não consegue, não pode ser harmonioso. Seria contra a sua natureza, tão peculiar que é!

Recordando a minha impressão sobre os meus Eus e como os identifico, o meu eu é egoísta, o outro eu é o invejoso, e, finalmente, o eu: O eu, que cada um reconhece em si, e não menos voltado para o seu umbigo. Assim, observo que os triângulos humanos, são formas de manifesta expressão egoísta:

Tu, ele, eu. Amor, amizade, eu. Eu, eu, eu!

 

Parece que o homem não se aguenta a si próprio. Excede-se em inconsciência.

Tudo gira à nossa volta. Somos a antítese da arquitectura que a física tenta decompor matematicamente. Somos o desequilíbrio voluntário da Natureza.

E porque escrevo sobre isto? Muito simplesmente porque fascina-me a forma como lidamos com o excesso de nós próprios. Precisamos de sofrer para ter consciência de que somos felizes, e acho curioso como a nossa forma “natural” de sofrer depende do excesso que levamos de nós próprios.

Mais interessante é a “fé”, ferramenta minuciosa, concebida para controlar e enfatizar os excessos de nós próprios. Somos pecadores e, lá está, inconscientes! A beleza do Homem está exactamente naquilo a que chamamos religião!

Recordando o início, sobre triângulos e a sua harmonia, coerentemente devíamos ser adeptos do equilíbrio gratuito que os triângulos das relações nos proporcionam, porém não conseguimos. Uns chamam-lhe ciúme, outros é espírito competitivo, outros dizem ser egocentrismo, etc. e tal… Em suma somos uns egoístas de primeira e defendemos a partilha, a igualdade e a paridade. Fascinante.

 

Não sei se ficar contente, ou não, por ser assim… mas concluo que o homem é um verdadeiro caos! Se as leis da física fossem decididas pelo homem, agora, ser-me-ia impossível dissertar sobre isto pois o triângulo não existiria, uma vez que… um é pouco, dois é bom e três… é demais, porém perfeito!

Obrigado All Mighty God!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Elogiado

Eloquência...

 

"És eloquente!"

Disseram.

 

Isso é um elogio ou um insulto? Pouco importa!

Há dias em que aceito a eloquência como elogio, noutros encaro como insulto. Se não é o contexto que define a semântica, tenho dúvidas que seja o estado de espírito a sua base.

Parece-me difícil julgar o que é aparentemente óbvio e evidente, pois a rapidez com que se faz um julgamento, é inversamente proporcional à verdade nele contida!

 

As observações como elogios ou ofensas são baseadas e definidas com conotações, cuja interpretação pode depender de muita coisa. Um elogio sabe sempre bem... mas será sempre bem vindo?

sábado, 8 de março de 2008

É hoje...

Para os mais distraídos: Hoje é o dia da(s) mulher(es)!

(Talvez... porque um dia pode não ser suficiente. Fica o aviso!)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Sonho Vs Sorte

 
 
Se o que queremos não precisamos...  e o que precisamos, adiamos... faz sentido ter consciência?

 

De que vale sonhar, se não é reflexo do nosso ser?

 

Egoístas! Singulares! Unos!

Somos o que somos, porém optamos ser o que queremos ser.

Não questionamos o suficiente para ter real noção do que somos aos olhos de... do... nosso reflexo!

 

eco!






SONETO XXXI

Fujo de mi, quando me não precato
Sem querer outra vez me acho comigo,
Tenho-me por suspeito e inimigo,
E comigo perpétua guerra trato.

Entrando em mi destruo, prendo e mato,
Mas eu quando me vejo em tal pirigo
Contra mi me levanto e me persigo
A ferro e sangue, sem querer contrato.

Por mi tenho os sentidos, que me acodem;
A razão co'a vontade e co'a memória
Sustentam contra mi outro partido.

Ai civil guerra sem despojo e glória,
Onde os que podem mais contra si podem,
Onde o que é vencedor fica vencido.

Vasco Mousinho de Quevedo




Sonhar cansa. Ouvir dizer que sonhar e agarrar os sonhos é uma luta à qual não podemos ceder... apenas serve ao ego de outros.

sábado, 3 de novembro de 2007

Porque perguntar não ofende!

Sim? Não? Porquê?

Fazer uma pergunta é fácil. Responder também.
Fazer uma pergunta difícil é menos fácil. Responder continua a ser fácil.
Fazer a pergunta certa no momento certo é complicado. Responder não.

A resposta é sempre possível. Basta haver uma pergunta para haver uma resposta. Certa ou errada, a resposta existe. E porque perguntar não ofende, vou colocar uma pergunta que já coloquei em tempos e que não tive nenhuma resposta satisfatória.

Numa só palavra, consegues responder a esta pergunta sem um "sim" ou um "não", de forma objectiva?

Responder aqui!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Peço desculpa... e não é para justificar nada!

Não gosto de dar justificações. Considero-as inúteis e autênticas perdas de tempo. Por uma questão de princípio sou adepto da noção de responsabilidade e integridade.
As justificações sugerem ser meras tentativas de reposição de uma verdade/realidade cuja interpretação é relativa, ou seja alheia aos poderes e interesses de quem as dá.
Tentar é pouco, é muito pouco.
A acção justificar parece ser antagónica à noção de responsabilidade. Ou mantemos uma posição credível e firme, ou perdemo-nos por argumentos relativos na esperança de obter a mesma posição credível e firme. Tão complicado de alcançar senão mesmo impossível. Isto é: ou temos credibilidade ou dizemos que temos credibilidade.
Justificações fundamentadas com factos concretos e não prováveis aceito como extensão de uma noção de responsabilidade e visão razoável para o que se pretende, porém não deixa de ser relativo, quando a interpretação da acção está sujeita a terceiros e só a estes.

Assumir a responsabilidade é mais fácil de dizer que aplicado à prática. Mas será mesmo? Um erro é um erro. Não é algo definitivo. O senso comum devia ser peremptório na sugestão em que um erro assumido pode ser corrigido e que um erro ignorado não. Infelizmente tal não parece ser verdade.
Diria que, porque a mentalidade obedece a padrões sociais, estes deseducam o senso comum. Ou pelo menos não educam. O resultado é a disparidade entre o que se diz e ou que se faz ouvir. A credibilidade dificilmente é sustentável quando há um receio omisso, face às vicissitudes adversas dos vários exemplos que a vida apresenta sem pré-aviso. A falta de senso, a falta de um juízo de valores, a falta de integridade faz dos princípios uma anedota. Por conseguinte, é absurdamente, tolerável que alguém não assuma determinados erros: ou porque não se justifica; ou porque são erros menores; ou porque se tem medo;... ou porque os ignora.
Perante uma pessoa assim, o justificar é igual a zero. Se eu não sei o que é chover, vou compreender que há chuva? Claro que não! E isso faz de mim um idiota? Claro que sim!... mas para quem observa, parece que não.

Faz sentido haver justificações?
O justificar, ou não, é devido a quem nos merece respeito. E merecer não é o mesmo que dever, concluo.

Tal como eu, no fundo, acho que as pessoas, não percebem a diferença entre o justificar e o assumir de um erro... tal como eu!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Desafio EU

Há algum tempo atrás (Maio 2007), fui desafiado pela extinta "Inside Out" para um daqueles desafios que circulam na blogoesfera.
O desafio era qualquer coisa sobre o EU, onde teria que completar uma lista de itens relacionados com o(s) meu(s) eu(s)...
O resultado é a lista que se segue.

Não sendo adepto destas correntes, acabei por não colocar aqui nada relativo ao desafio, porém não deixei de corresponder ao mesmo e deixar no blog da extinta "Inside Out" esta mesma lista, completa.
Hoje tropecei nela e achei curioso como ainda faz sentido... sublinhe-se que muitos destes itens são relativos, e influênciados pelo dia-à-dia.
Enfim e adiante. Aqui fica a minha resposta ao desafio:


  • Eu quero: o que não tenho!
  • Eu tenho: o que não quero!
  • Eu acho: nada. Se tenho dúvidas, esclareço-las na medida do possível.
  • Eu odeio: Mentiras.
  • Eu sinto: Mais do que devia.
  • Eu escuto: Mais do que falo.
  • Eu cheiro: tudo antes de comer. (sou esquisito, confesso)
  • Eu imploro: pouca coisa, quase nada.
  • Eu procuro: saber!
  • Eu arrependo-me: de não ser melhor do que sou!
  • Eu amo: tudo.
  • Eu sinto dor: nos braços.
  • Eu sinto a falta de: silêncio.
  • Eu importo-me: com o que me interessa.
  • Eu sempre: fiz por compreender.
  • Eu não fico: à espera que as coisas aconteçam!
  • Eu acredito: que sou capaz!
  • Eu danço: Com toda a gente.
  • Eu canto: Para os amigos.
  • Eu choro: Para o amigo.
  • Eu falho: Quando tento.
  • Eu luto: pelo que importa.
  • Eu escrevo: Porque sei escrever.
  • Eu ganho: quando jogo bem.
  • Eu perco: em mil e um pensamentos diferentes que inesperadamente ocorrem de forma simultânea na minha cabeça e aparentemente nada interligados uns com os outros.
  • Eu confundo-me: com a ignorância.
  • Eu fico feliz quando: me sorriem.
  • Eu tenho esperança: de um dia ser rico.
  • Eu preciso: de juízo.
  • Eu deveria: ter juízo.



Evidentemente, não vou passar o desafio a ninguém, até porque, quase, todos já o receberam.... mas fica aqui mais uma parte que, em última análise, complementa o post sobre o eu, o meu eu e o outro eu!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Santana Vs Mourinho & Sic Notícias

Provavelmente o tema mais comum nos próximos dias... ainda assim, serve de espanador deste blog:




Bom... sempre deu para rir!
Não consigo, porém, deixar de pensar que ambos estiveram mal. Sic Notícias e Dr. Santana Lopes.
Nem o primeiro tinha o direito de interromper a entrevista para os efeitos verificados, nem o segundo tinha o direito de privar os espectadores da entrevista. Para isso nem sequer aceitava o convite.

Como bem frisou, o Dr. Santana Lopes, não o fez com pretensiosismo, mas que preteriu a importância do seu discurso por protagonismo, isso ninguém o pode negar.
Tão típico do Sr. Dr. Santana Lopes.

E só em jeito de gozo, pessoalmente ficaria mais indignado se fosse interrompida uma entrevista a José Mourinho para ver o Dr. Santana Lopes fazer demagogia!



Em breve, a actividade será retomada.
Continua a visitar este blog!!!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Porque confio III

A relação entre o Outro eu com os outros tem algo de muito curioso: A reciprocidade.
A mímica é natural. É inato. E inconsciente!
Se sorrir recebo um sorriso de volta. É assim tão simples. Voluntário ou não, tudo o que é bom terá, regra geral, uma resposta agradável. Claro que isto depende da empatia envolvente, mas uma não depende exclusivamente da outra. Ou seja, a resposta não depende só da empatia.

A consciência de si permite brincar com isto. A reciprocidade tem truque... e em vez de pensar no bom, gosto de reparar no mau. Se alguém assume um comportamento negativo? A resposta é necessariamente negativa?
Com ou sem empatia, a negatividade na comunicação tem dois caminhos a seguir: ou sobe até explodir ou, face a uma resposta bem disposta, anula-se.
A questão de fundo que coloco é: Quem é reciproco a quem?
A importância disto permite compreender onde começa o truque.

Se eu mentir, é natural concluir que estou sujeito levar com falsas verdades. Talvez a obsessão seja minha. Talvez!
Não gosto que me mintam, por conseguinte, não minto. Não gosto de segredos, não gosto de ocultar o que é objectivo ou de importância relevante para mim. Com a reciprocidade, observo que consigo manter verdades. Se for verdadeiro, terei a verdade como resposta.
Sinto-me bem por saber que não vivo em realidades paralelas.

... é talvez por isto que confio! Odeio a mentira. Odeio a desconfiança. A partir do momento em que assumo as minhas responsabilidades, em que respondo por elas sem medo, não tolero que sejam diferentes em relação a mim. E isto faz de mim a pessoa mais idiota à face da terra. Eu sei que sou. Felizmente tenho noção desta parte, apenas custa ter noção do outro lado da verdade: A falsa verdade.
A reciprocidade é curiosa. E então... Porque confio?



Confio porque sou ingénuo!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Momento

Luar! Momento!

do Lat. momentu

      s. m.,
            espaço pequeníssimo de tempo;
            ápice;
            instante;
            tempo ou ocasião em que alguma coisa se faz ou acontece;
            ocasião azada;
            lance;
            conjuntura;
            valor;
            importância;


Sendo apologista de querer viver o momento, ultimamente e a par das experiências que tenho passado, reparo que a noção de momento, do presente, do agora, está muito em alta. Muitos defendem a necessidade de abstracção do tempo e que se aproveite o momento. Não falo do Carpe Diem muito próprio da adolescência, mas sim do viver a vida.
Esquecer o passado e evitar a projecção do futuro.

É aqui que começa a minha percepção da realidade. O momento não existe. O momento é um misto entre o minuto seguinte(3) e o minuto anterior(1), mas nunca o minuto que acontece(2).
Infelizmente não sei observar o momento como devia. Por uma razão muito simples, porque quando me apercebo do momento e o procuro sentir ou procuro saber o que sinto, será sempre em função do passado ignorando o que se segue. Ou então, penso no que se segue e ignoro o passado. Isto parece-me completamente errado.

Para se aproveitar o momento, digo eu, a forma mais razoável será tentar sentir o que ainda temos do passado imediato e, em função deste, preparar a recepção para as sensações ou emoções futuras... ignorando o que está a acontecer.

Um beijo.
O momento começa com a sugestão de haver um beijo. Assim que sentimos a sugestão em si, deixamos de estar nesse momento ou parte do momento. Ignoramos esse passado e procuramos o que se segue: O beijo. O momento é falso.
No entender de cada um, a definição de momento será o beijo, mas tudo o que acontece durante, antes e depois são fracções desse momento ou momentos em particular?

O olhar não foi ele um momento? O toque da pele? O sentir do cheiro? A cor dos lábios? Para mim tudo isto são momentos isolados, que construiram outro momento. O beijo.
O que se segue é outra cadeia de momentos, simétricos à forma, mas cadentes na itensidade... O olhar, o toque, o cheiro, o calor, mas tudo como se fosse um fade out.

Descrevi um beijo, mas esta linha de raciocínio transporto para outros pseudo-momentos: Ganhar aposta; Sexo com a melhor amiga, ou com desconhecida, ou com amante, ou em local público, ou em grupo; Festas (mais sexo); Corridas; Promoção; Jantar; Directas; Conhecer gente nova; ouvir aquela música ao vivo; palco...

Só encontro uma razão porque prefiro ignorar o minuto do meio(2), porque sentir envolve interpretação... e eu não quero estragar os meus momentos questionando-os. Interpretando-os. Apenas viver e passar por eles!
Isso mesmo, passar por eles...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Porque confio II

A sinceridade pressupõe a verdade. Mas uma mentira pode ela também ser sincera, e assim, quando é que é mentira, e não é verdade?
Regresso à estáca zero e pergunto-me, depois de tentar perceber porque se mente, afinal o que é uma mentira?
Mentira é uma realidade paralela.

Se considerar que há uma realidade e que esta é a verdade absoluta, a mentira será o paralelo cujo infinito (ponto de convergência) será o mentiroso. Vou fazer isto de forma figurativa:
Imaginemos uma linha de tempo contínua. Imaginemos duas pessoas: Eu e o mentiroso. Ambos estamos na mesma linha de tempo. Esta será a verdade absoluta.
Agora imaginemos um ponto X a meio da linha dada. Neste ponto estou eu e o mentiroso. Será o presente, a linha que está antes é o passado, e a que continua, evidentemente, o futuro.
As mentiras são sempre sobre algo que aconteceu ou que devia ter acontecido, por outras palavras, é sempre sobre o passado, portanto o paralelo é desenhado no passado. Imaginemos uma linha paralela com o passado, e a sua convergência será com o ponto X.
Esta linha de tempo, é para todos os efeitos, uma realidade. A partir do momento em que se mente, obtemos uma linha de tempo falsa, mas nada impede que exista (se não pudesse existir, a mentira não faria sequer sentido).
O mentiroso é o ponto de convergência, só ele tem noção de ambas as linhas de tempo. Eu permaneço na mesma linha de tempo, mas o mentiroso terá que perspectivar ambas as linhas de tempo de modo a sustentar a 2ª parte da linha. O futuro.
Eu estou confortável, o mentiroso não.

Portanto a mentira é uma realidade que não aconteceu, porém realidade.
Se eu omitir alguma coisa, é mentira? sim e não!
Não, porque não criei uma segunda realidade, apenas optei por não expor a minha linha de tempo. Já se alguém perguntar algo em concreto e mesmo assim omitir uma parcela, estou a criar uma segunda linha de tempo, no qual não existe essa parcela, e aqui já é mentira. Em todo o caso, é muito relativo. Convém haver objectividade para determinar se é ou não mentira, e como não pretendo ser entendido no assunto, prefiro optar por é mentira. Talvez porque se suspeito de algo, sou objectivo, pergunto até à exaustão para saber até que ponto a omissão se deve a uma parcela ou a um todo, em si, inocente...

quinta-feira, 21 de junho de 2007

7 Maravilhas da Blogoesfera

7 Maravilhas da Blogoesfera

Uma ideia interessante. Decidi participar.
Embora o meu universo na blogoesfera seja extremamente reduzido, penso que consegui encontrar, entre os poucos blogs que acompanho, aqueles que na minha opinião merecem o seu destaque.
Assim, aqui ficam as minhas nomeações/votos daqueles que são potênciais "maravilhas" da blogoesfera nacional, para mim! Claro!




OS VERDADEIROS ARTISTAS...da nossa cultura
http://verdadeirosartistas.blogspot.com/

por João Silva
Porque oferece um olhar alternativo sobre o que se tem feito nas artes nacionais, promovendo a cultura musical e literária que passa despercebida a olhares menos atentos.
Pela estética e pelo teor biográfico de cada artista.



Rubrica Mau Feitio atira-se aos Blogs
http://rubricamorenaatiraseaosblogs.blogs.sapo.pt/

por Mau_Feitio
Porque promove a blogoesfera. Apresenta críticas com humor e sempre a puxar por uma qualidade superior do que se tem feito na blogosfera.



Mau Feitio
http://morena_mau_feitio.blogs.sapo.pt/

por Mau_Feitio
Representa o conceito de blog pessoal por excelência. Mantém um ritmo de publicação muito satisfatório. Pela riqueza de conteúdo, pelo exibicionismo cuidado e intenso que propõe.
Histórias e episódios que suscitam o interesse e o questionar da vida.
Pela estética.



Portfolio - A Pasta de Portugal
http://onossoportfolio.blogspot.com/

"independente"(?)
Porque promove o melhor que se tem feito na área criativa em Portugal. Porque apresenta um conceito audaz e de mérito.
Pela riqueza do seu conteúdo e pela curiosidade que suscita.



Centopeias
http://centopeias.blogs.sapo.pt/

por Big Mac, Zexorcista e Jovem Centopeia
Pelo humor negro. Pelo olhar crítico, absurdo e extremo da sociedade. A coerência, o fio condutor que não se perde. Um humor nada fácil de manter actualizado e menos fácil de manter online.



Quadratim
http://quadratim.blogspot.com/

por António Leal Salvado
Porque apresenta a cultura de uma forma descontraída. Porque identifica uma região apelando à sua qualidade.
Pela estética.



Cigana
http://trazoutroamigotambem.blogs.sapo.pt/

por Cigana
Porque é generalista. Porque apresenta trabalho de casa bem feito.
Propõe a discussão, sobre temas generalistas, de forma cuidada e trabalhada, não descurando o humor e o civismo na discussão.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Parabéns a MIM



Hoje é dia de festa!
Como um puto alegre fico feliz quando este dia chega. Já não são as prendas, nem a festa em si. São as pessoas, que sensíveis ou não à data e à pessoa, gostam e, no fundo, não custa nada dar os parabéns. É sentir-me reconhecido apenas por existir. Poderia descrever o que sinto, o que penso que sinto e mais alguma coisa, mas o que me interessa, na realidade, é ouvir: Parabéns Afonso.

Sem mas nem meio mas. Sem avaliações, sem julgamentos, sem necessidade de causa-efeito. Faço anos, e estou de parabéns. São 28 longos anos que outrora pareceram passar devagar, agora parece ter sido num ápice.

Não me vou alongar. Quero ouvir e ler esses parabéns. Deixo sempre um espaço reservado no meu blog original para esse efeito, e agora convido os bloggers que conheci deste lado da web para darem um salto até lá, e em uníssuno com outros amigos da vida real... Desejar um feliz aniversário. Dar um Parabéns, a este puto alegre que sou eu.

Deixa um comentário ou então vai só espreitar ao meu MSN Space


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Adenda:
Agora já podem deixar aqui comentários... obrigado!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O Eu, o meu Eu e o outro Eu

AlfmaniaK

Sou uma só pessoa. Tal como toda a gente tenho um Eu que, supostamente, é comum em todas as situações. Mas tal não se verifica, dependendo do grupo, do género, da intimidade, do histórico o Eu que me caracteriza parece ser diferente. Poderei definir o diferente como estados de espírito, sendo nuns casos o Eu alegre, o Eu divertido, o Eu conversador, o Eu parvo, o Eu chato, o Eu informático, o Eu, o Eu, o Eu, etc...

Recentemente, num grupo onde prevalece o Eu bem disposto e divertido, verifico que me sinto só. O que sinto não era novo, e coexistia com os vários Eus que identifico, portanto comecei a pensar: Se “sentir-me só” é de facto um estado de espírito, e prevalece sobre os outros, o que são estes últimos senão apenas um reflexo do ambiente em que me encontro? A reflexão levou-me a identificar-me e reconhecer o Eu que há em mim.
Apenas um Eu seria mentira, o normal é dizer-se que há dois... e outros vão mais longe e identificam vários como citei acima. Num processo de simplificação verbal constatei que tenho claramente três Eus. Que coabitam seja em que circunstância for, e com quem quer que seja. Então vejamos a minha identidade, e que qualquer um possui em traços semelhantes:

O Outro Eu
Este será o Eu pelo qual todos avaliam se gostam ou não de mim. É o Eu visto por vocês. Considero que nas relações, este é o Eu pelo qual as pessoas se apaixonam. Ou odeiam.

O Meu Eu
Este é o Eu egoísta. Todos nós somos incondicionalmente egoístas. Da boca para fora podemos ser muita coisa, mas na hora H este é o Eu que manda. Este é o que decide sim ou sopas. É a força interior. O que nos dá pujança e que se está a “cagar” literalmente para o resto.

E finalmente, o Eu
Este é o Eu que nós conhecemos de nós próprios. É este o Eu com que crescemos, vivemos e morremos. Existe num estado oculto, escondemos dos outros este Eu. Alguns lá conseguem vê-lo, diria que esses são as pessoas ditas especiais na vida.

Para distinguir os Eus atribuí-lhes os meus nomes, assim: o Outro Eu é o Afonso que todos conhecem; O Meu Eu será o Ego invejoso, ciumento, e claro está, egoísta; E finalmente o Eu: AlfmaniaK.
Chamo este último de AlfmaniaK porque é com este nome que identifico tudo o que me fez, tudo o que faço porque eu quero. Porque foi assim que cresci e aprendi a pensar, a ver o mundo.

Se me senti só, foi este AlfmaniaK que se sentiu perdido... Ela que, melhor que ninguém, deveria saber lê-lo, saber encontrá-lo, saber falar com ele... abandonou-o. Sinto-me sózinho.
Sou uma pessoa só.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Se puxar muito... rebenta!

E foi isso mesmo que aconteceu. Um puxou. Outro duvidou. E elas rebentaram com isto tudo...
A última vez que parti um elástico, além do barulho, aleijei-me. E sem mais questionar, julgo que também me arrisco a aleijar-me com:




"Aleijar"... gosto da palavra... acho que vou opinar sobre o puxar do elástico de uma tanga por trás, umas dizem que gostam, outras que adoram. A ver vamos!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Amor... ganda m****

Messenger Dezembro 2006:

(...)
AlfmaniaK: um pionese pica o dedo e sentimos dor
AlfmaniaK: ao contrário do amor, nós sabemos e percebemos porque sentimos dor
AlfmaniaK: porque o pico despertou um nervo cuja reacção é enviar a informação de dor para o cérebro para que este reaja de maneira a que possamos acabar com essa dor
AlfmaniaK: no amor
AlfmaniaK: tu conheces uma pessoa
AlfmaniaK: falas com ela
AlfmaniaK: sem se perceber porquê um beijo a essa pessoa tem um sabor diferente
AlfmaniaK: a voz dessa pessoa é diferente
AlfmaniaK: toda essa informação é enviada para o cérebro
AlfmaniaK: mas sem percebermos porquê chamamos a isso amor

AMIGA: «o comportamento da pessoa abandonada se parece com o do drogado na falta de morfina: ansiedade permanente, insônia, irritação, problemas diversos seguidos de uma fase de apatia, prostração e desinteresse pelo mundo.» porra! tudo se resume a anfetaminas

AlfmaniaK: não há fumo sem fogo
AlfmaniaK: as nossas reacções são em última análise físicas
AlfmaniaK: gostava era de saber o que age em função do quê

AMIGA: pois então, não há amor? é tudo inventado pelo nosso hemisfério direito que é o da emoção, da intuição e da estética. certo?

AlfmaniaK: sim, deve ser isso
AlfmaniaK: tal como Deus
AlfmaniaK: é inventado

AMIGA: então é isso, como tu dizes, primeiro o contacto físico que suscita então o emocional depois, ganda merda!
(...)


...pois, ganda merda.
Esta conversa desenvolveu-se à volta das seguintes leituras:
O amor é uma "Droga"
I get a kick out of you (Love Science)
Achei graça à forma como se descobre que afinal, a realidade, não é mais do que alguns neurónios e manifestações cerebrais a deitar por terra aquilo que era do coração. A nossa consciência é o máximo!

sábado, 19 de maio de 2007

Vou mudar!

Acabou-se tudo!
Foi engraçado, mas agora vou mudar. Para o quê? Não sei.
No fundo tenho medo das mudanças. Nunca se sabe se é para melhor ou para pior. Nunca se sabe se é para muito tempo, pouco tempo... ou se é para nada, e para em nada se tornar.

As mudanças são curiosas, despertam a curiosidade do desafio em si, isso gosto. Mas tenho medo. Porque mudo e sem dar por isso, não acontece nada. Fica tudo igual, porém mudo...

...por vezes tenho dúvidas, outras tenho certezas. Vai daí e observo que não saí do mesmo lugar. Enfim...

Acabou-se tudo!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Uma sala para todos...

Todas as relações têm os seus altos e baixos, alguns mais saudáveis que outros, alguns com mais significado que outros e, finalmente, alguns mais graves que outros.
Por saudável entenda-se que são as discussões, os arrufos e/ou mal entendidos que, para o bem e para o mal, contribuem na construção da relação, enaltecendo valores, firmando certezas... ensinando ambos a aceitarem-se como são.
Por significados, direi que são aqueles que ficam na memória. Sempre. Não se perdem e não são recorrentes aquando deste ou daquele episódio, estão sempre presentes.
Por gravidade serão as divergências, os episódios, as fases que de uma forma ou outra, dão origem a consequências. Pontos de viragem e sem retorno. Quanto mais grave pior a consequência... e se com isto houver precedentes, então é caso para dizer “caldo entornado”.

Para ter consciência dos altos e baixos que experimento, seja qual for a relação (casal enamorado, casamento, paixão, amizade, etc.), procuro sempre construir um espaço figurativo que ajuda à abstracção do momento, facilitando a sua compreensão através de analogias simples. Espaço esse que deverá ser comum aos dois envolvidos. Dois ou mais, pois há relações para tudo.

Hoje pretendo expor a minha percepção de uma vida a dois. A qual encaixo numa sala.
Sala para dois!

Imagine-se uma sala totalmente vazia. Quatro paredes nuas. Um chão lustroso, brilhante e sugestivamente atraente a ser pisado. A sala é simples, bonita, bem cheirosa. Omissa em decoração e ainda assim cheia de tudo.
De um lado estou eu. Do outro ela.
A relação desenvolve-se sobre aquele soalho. É a plataforma que sustenta a relação. Sem ele não haveria nada, portanto é necessário estimá-lo. Em equipa, devemos mantê-lo limpo. Puxar o lustro diariamente, para que a sugestão de permanecer ali, sobre ele, se mantenha. As paredes definem o espaço. O limite da relação... (não aconteça haver um espírito aventureiro, e decidir caminhar por um soalho sem fim, tão bonito que ele é, em direcções opostas)
As paredes são fundamentais. E convém mantê-las limpas, e intactas. Mas não muito limpas, pois podem ocultar o brilho do soalho, e tal não seria bom, pois pode cada um voltar-se para a sua parede.
A riqueza de uma relação pode definir os materiais. Quanto melhor, mais refinada será a madeira do soalho.
Definido o espaço, que se compreenda a relação. Durante os primeiros tempos, a sala mantém-se naturalmente limpa, e sempre bonita. É então que surge um arrufo. É como se alguém deitasse uma cinza de cigarro para o chão. Um dos dois deverá limpar o que aconteceu. Ignorar seria absurdo uma vez que a cinza iria ficar ali sabe-se lá até quando. A curiosidade a reter, é verificar, na relação, quem é que vai limpar o quê: Se cada um apenas limpa o que suja, ou se um, ou ambos, é altruísta ao ponto de limpar o que o outro fez. Adiante.
A sala é bonita, esplendorosa... contudo, ambos não conseguem ver tudo o que há de bom à volta. Só aquela cinza ordinária. É um arrufo. A Cinza veio estragar a harmonia. Mas será assim tão significativa? Relativizar é bom? Afinal a sala é mais bonita que a cinza, porque não conseguimos ver a sala no seu todo e só a cinza? De facto as nódoas conseguem ser mais evidentes que o resto do pano. Mas porque é que o oposto não se verifica?

Consideremos que relativizar é bom, e que com o tempo a cinza, desaparece.
Bom, a cinza nunca chega a desaparecer, simplesmente espalha-se de tal forma que não é visível a olho nu, mas está lá. Se sobre esta caírem outras e mais outras, a sala vai ficando cada vez mais suja. E quando o soalho estiver totalmente coberto, a beleza dele é que desaparece de facto. A magia vai-se. Assim são as relações.
Recuando um pouco, observemos o chão quando está quase todo sujo, onde é possível observar um pedaço dele com o seu brilho natural, aquela riqueza que o definia. Porque é que aqui, em oposição do soalho limpo com uma cinza, não conseguimos observar só o que está limpo em detrimento do que está sujo. Se o normal da harmonia é estar sujo, o que está limpo deveria destacar-se, mas tal não acontece.

Esta ideia de tornar figurativo ajuda-me a compreender que gostamos ou há uma tendência inata em olhar para a porcaria. Para o que está sujo. Porquê? Talvez porque é mais fácil, talvez porque a relação já estava condenada… ou talvez porque precisamos sofrer. Não se afirma isto de forma fácil, mas parece-me ser esta a conclusão. Numa relação precisamos de porcaria a tapar-nos os olhos, sem ela não saberíamos procurar o que realmente queremos e o que realmente nos sabe bem.

Assim compreendo que é importante ter consciência (activa) do que pretendo valorizar de facto. E sim, relativizar é bom desde que olhe para o lado correcto da questão. Parece óbvio, mas não fácil.