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quarta-feira, 23 de abril de 2008

Homem, esse pequeno caos!

Trinómio de caos!

 

Um é pouco, dois é bom... três é demais.

Três... três... tudo é trio.

A engenharia propõe o triângulo como uma forma geométrica perfeita. A física descodifica o universo com leis: recorrendo ao reducionismo, três. A teologia cristã trinitária apresenta o uno em três.

Triângulo. Três. Vértices.

A Natureza obedece a regras que, a seu tempo, vão sendo definidas pelo homem. Elas já existem, porém o homem as definirá. Pressupostos? Falsos silogismos? Talvez... ainda assim, constituem a base do nosso entendimento.

O homem, tal como o observo, possui os seus triângulos. Os seus trinómios. Pai, mãe, filho. Avô, pai, filho. Desejo, vontade, acção. Fome, ar, vida. Suor, sangue, lágrimas. Inteligência, consciência, voz. (etc.)

De todas as formas em que três vértices são cúmplices, há uma que ao homem parece não aplicar-se. Não funciona... Simplesmente não funciona.

Egoísmo, inveja, ódio.

Este é um dos poucos conjuntos que me faz confusão, porque resume-se a três eus muito íntimos. Qualquer observação sobre relações, cujo triângulo, contenha um vértice deste trinómio, sumariamente, não funciona. E nestes casos a máxima “três é demais” faz todo o sentido, porém vai contra as leis da Natureza… onde o triângulo devia ser harmonioso.

O homem é conflituoso, não consegue, não pode ser harmonioso. Seria contra a sua natureza, tão peculiar que é!

Recordando a minha impressão sobre os meus Eus e como os identifico, o meu eu é egoísta, o outro eu é o invejoso, e, finalmente, o eu: O eu, que cada um reconhece em si, e não menos voltado para o seu umbigo. Assim, observo que os triângulos humanos, são formas de manifesta expressão egoísta:

Tu, ele, eu. Amor, amizade, eu. Eu, eu, eu!

 

Parece que o homem não se aguenta a si próprio. Excede-se em inconsciência.

Tudo gira à nossa volta. Somos a antítese da arquitectura que a física tenta decompor matematicamente. Somos o desequilíbrio voluntário da Natureza.

E porque escrevo sobre isto? Muito simplesmente porque fascina-me a forma como lidamos com o excesso de nós próprios. Precisamos de sofrer para ter consciência de que somos felizes, e acho curioso como a nossa forma “natural” de sofrer depende do excesso que levamos de nós próprios.

Mais interessante é a “fé”, ferramenta minuciosa, concebida para controlar e enfatizar os excessos de nós próprios. Somos pecadores e, lá está, inconscientes! A beleza do Homem está exactamente naquilo a que chamamos religião!

Recordando o início, sobre triângulos e a sua harmonia, coerentemente devíamos ser adeptos do equilíbrio gratuito que os triângulos das relações nos proporcionam, porém não conseguimos. Uns chamam-lhe ciúme, outros é espírito competitivo, outros dizem ser egocentrismo, etc. e tal… Em suma somos uns egoístas de primeira e defendemos a partilha, a igualdade e a paridade. Fascinante.

 

Não sei se ficar contente, ou não, por ser assim… mas concluo que o homem é um verdadeiro caos! Se as leis da física fossem decididas pelo homem, agora, ser-me-ia impossível dissertar sobre isto pois o triângulo não existiria, uma vez que… um é pouco, dois é bom e três… é demais, porém perfeito!

Obrigado All Mighty God!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

...o branco...

Cláudia:
As provas de amizade também são misteriosas.

Tu marcas... sem querer, tu marcas.

Obrigado!


Sem querer. Sempre sem querer há vazios.
Chamo-lhe espaço em branco.

Outras vezes, sem querer e sempre sem querer estão preenchidos.
E se também for branco? Faz desse espaço uma mentira?
O que julgamos não é o que sentimos, e dificilmente o que sentimos é o que julgamos... e isso é branco!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Parabéns a MIM



Hoje é dia de festa!
Como um puto alegre fico feliz quando este dia chega. Já não são as prendas, nem a festa em si. São as pessoas, que sensíveis ou não à data e à pessoa, gostam e, no fundo, não custa nada dar os parabéns. É sentir-me reconhecido apenas por existir. Poderia descrever o que sinto, o que penso que sinto e mais alguma coisa, mas o que me interessa, na realidade, é ouvir: Parabéns Afonso.

Sem mas nem meio mas. Sem avaliações, sem julgamentos, sem necessidade de causa-efeito. Faço anos, e estou de parabéns. São 28 longos anos que outrora pareceram passar devagar, agora parece ter sido num ápice.

Não me vou alongar. Quero ouvir e ler esses parabéns. Deixo sempre um espaço reservado no meu blog original para esse efeito, e agora convido os bloggers que conheci deste lado da web para darem um salto até lá, e em uníssuno com outros amigos da vida real... Desejar um feliz aniversário. Dar um Parabéns, a este puto alegre que sou eu.

Deixa um comentário ou então vai só espreitar ao meu MSN Space


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Adenda:
Agora já podem deixar aqui comentários... obrigado!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Se puxar muito... rebenta!

E foi isso mesmo que aconteceu. Um puxou. Outro duvidou. E elas rebentaram com isto tudo...
A última vez que parti um elástico, além do barulho, aleijei-me. E sem mais questionar, julgo que também me arrisco a aleijar-me com:




"Aleijar"... gosto da palavra... acho que vou opinar sobre o puxar do elástico de uma tanga por trás, umas dizem que gostam, outras que adoram. A ver vamos!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Amor... ganda m****

Messenger Dezembro 2006:

(...)
AlfmaniaK: um pionese pica o dedo e sentimos dor
AlfmaniaK: ao contrário do amor, nós sabemos e percebemos porque sentimos dor
AlfmaniaK: porque o pico despertou um nervo cuja reacção é enviar a informação de dor para o cérebro para que este reaja de maneira a que possamos acabar com essa dor
AlfmaniaK: no amor
AlfmaniaK: tu conheces uma pessoa
AlfmaniaK: falas com ela
AlfmaniaK: sem se perceber porquê um beijo a essa pessoa tem um sabor diferente
AlfmaniaK: a voz dessa pessoa é diferente
AlfmaniaK: toda essa informação é enviada para o cérebro
AlfmaniaK: mas sem percebermos porquê chamamos a isso amor

AMIGA: «o comportamento da pessoa abandonada se parece com o do drogado na falta de morfina: ansiedade permanente, insônia, irritação, problemas diversos seguidos de uma fase de apatia, prostração e desinteresse pelo mundo.» porra! tudo se resume a anfetaminas

AlfmaniaK: não há fumo sem fogo
AlfmaniaK: as nossas reacções são em última análise físicas
AlfmaniaK: gostava era de saber o que age em função do quê

AMIGA: pois então, não há amor? é tudo inventado pelo nosso hemisfério direito que é o da emoção, da intuição e da estética. certo?

AlfmaniaK: sim, deve ser isso
AlfmaniaK: tal como Deus
AlfmaniaK: é inventado

AMIGA: então é isso, como tu dizes, primeiro o contacto físico que suscita então o emocional depois, ganda merda!
(...)


...pois, ganda merda.
Esta conversa desenvolveu-se à volta das seguintes leituras:
O amor é uma "Droga"
I get a kick out of you (Love Science)
Achei graça à forma como se descobre que afinal, a realidade, não é mais do que alguns neurónios e manifestações cerebrais a deitar por terra aquilo que era do coração. A nossa consciência é o máximo!

sábado, 19 de maio de 2007

Vou mudar!

Acabou-se tudo!
Foi engraçado, mas agora vou mudar. Para o quê? Não sei.
No fundo tenho medo das mudanças. Nunca se sabe se é para melhor ou para pior. Nunca se sabe se é para muito tempo, pouco tempo... ou se é para nada, e para em nada se tornar.

As mudanças são curiosas, despertam a curiosidade do desafio em si, isso gosto. Mas tenho medo. Porque mudo e sem dar por isso, não acontece nada. Fica tudo igual, porém mudo...

...por vezes tenho dúvidas, outras tenho certezas. Vai daí e observo que não saí do mesmo lugar. Enfim...

Acabou-se tudo!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Uma sala para todos...

Todas as relações têm os seus altos e baixos, alguns mais saudáveis que outros, alguns com mais significado que outros e, finalmente, alguns mais graves que outros.
Por saudável entenda-se que são as discussões, os arrufos e/ou mal entendidos que, para o bem e para o mal, contribuem na construção da relação, enaltecendo valores, firmando certezas... ensinando ambos a aceitarem-se como são.
Por significados, direi que são aqueles que ficam na memória. Sempre. Não se perdem e não são recorrentes aquando deste ou daquele episódio, estão sempre presentes.
Por gravidade serão as divergências, os episódios, as fases que de uma forma ou outra, dão origem a consequências. Pontos de viragem e sem retorno. Quanto mais grave pior a consequência... e se com isto houver precedentes, então é caso para dizer “caldo entornado”.

Para ter consciência dos altos e baixos que experimento, seja qual for a relação (casal enamorado, casamento, paixão, amizade, etc.), procuro sempre construir um espaço figurativo que ajuda à abstracção do momento, facilitando a sua compreensão através de analogias simples. Espaço esse que deverá ser comum aos dois envolvidos. Dois ou mais, pois há relações para tudo.

Hoje pretendo expor a minha percepção de uma vida a dois. A qual encaixo numa sala.
Sala para dois!

Imagine-se uma sala totalmente vazia. Quatro paredes nuas. Um chão lustroso, brilhante e sugestivamente atraente a ser pisado. A sala é simples, bonita, bem cheirosa. Omissa em decoração e ainda assim cheia de tudo.
De um lado estou eu. Do outro ela.
A relação desenvolve-se sobre aquele soalho. É a plataforma que sustenta a relação. Sem ele não haveria nada, portanto é necessário estimá-lo. Em equipa, devemos mantê-lo limpo. Puxar o lustro diariamente, para que a sugestão de permanecer ali, sobre ele, se mantenha. As paredes definem o espaço. O limite da relação... (não aconteça haver um espírito aventureiro, e decidir caminhar por um soalho sem fim, tão bonito que ele é, em direcções opostas)
As paredes são fundamentais. E convém mantê-las limpas, e intactas. Mas não muito limpas, pois podem ocultar o brilho do soalho, e tal não seria bom, pois pode cada um voltar-se para a sua parede.
A riqueza de uma relação pode definir os materiais. Quanto melhor, mais refinada será a madeira do soalho.
Definido o espaço, que se compreenda a relação. Durante os primeiros tempos, a sala mantém-se naturalmente limpa, e sempre bonita. É então que surge um arrufo. É como se alguém deitasse uma cinza de cigarro para o chão. Um dos dois deverá limpar o que aconteceu. Ignorar seria absurdo uma vez que a cinza iria ficar ali sabe-se lá até quando. A curiosidade a reter, é verificar, na relação, quem é que vai limpar o quê: Se cada um apenas limpa o que suja, ou se um, ou ambos, é altruísta ao ponto de limpar o que o outro fez. Adiante.
A sala é bonita, esplendorosa... contudo, ambos não conseguem ver tudo o que há de bom à volta. Só aquela cinza ordinária. É um arrufo. A Cinza veio estragar a harmonia. Mas será assim tão significativa? Relativizar é bom? Afinal a sala é mais bonita que a cinza, porque não conseguimos ver a sala no seu todo e só a cinza? De facto as nódoas conseguem ser mais evidentes que o resto do pano. Mas porque é que o oposto não se verifica?

Consideremos que relativizar é bom, e que com o tempo a cinza, desaparece.
Bom, a cinza nunca chega a desaparecer, simplesmente espalha-se de tal forma que não é visível a olho nu, mas está lá. Se sobre esta caírem outras e mais outras, a sala vai ficando cada vez mais suja. E quando o soalho estiver totalmente coberto, a beleza dele é que desaparece de facto. A magia vai-se. Assim são as relações.
Recuando um pouco, observemos o chão quando está quase todo sujo, onde é possível observar um pedaço dele com o seu brilho natural, aquela riqueza que o definia. Porque é que aqui, em oposição do soalho limpo com uma cinza, não conseguimos observar só o que está limpo em detrimento do que está sujo. Se o normal da harmonia é estar sujo, o que está limpo deveria destacar-se, mas tal não acontece.

Esta ideia de tornar figurativo ajuda-me a compreender que gostamos ou há uma tendência inata em olhar para a porcaria. Para o que está sujo. Porquê? Talvez porque é mais fácil, talvez porque a relação já estava condenada… ou talvez porque precisamos sofrer. Não se afirma isto de forma fácil, mas parece-me ser esta a conclusão. Numa relação precisamos de porcaria a tapar-nos os olhos, sem ela não saberíamos procurar o que realmente queremos e o que realmente nos sabe bem.

Assim compreendo que é importante ter consciência (activa) do que pretendo valorizar de facto. E sim, relativizar é bom desde que olhe para o lado correcto da questão. Parece óbvio, mas não fácil.