Creative Commons License
O conteúdo deste blog está licenciado sob uma Licença Creative Commons.
Mostrar mensagens com a etiqueta πέντε. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta πέντε. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Homem, esse pequeno caos!

Trinómio de caos!

 

Um é pouco, dois é bom... três é demais.

Três... três... tudo é trio.

A engenharia propõe o triângulo como uma forma geométrica perfeita. A física descodifica o universo com leis: recorrendo ao reducionismo, três. A teologia cristã trinitária apresenta o uno em três.

Triângulo. Três. Vértices.

A Natureza obedece a regras que, a seu tempo, vão sendo definidas pelo homem. Elas já existem, porém o homem as definirá. Pressupostos? Falsos silogismos? Talvez... ainda assim, constituem a base do nosso entendimento.

O homem, tal como o observo, possui os seus triângulos. Os seus trinómios. Pai, mãe, filho. Avô, pai, filho. Desejo, vontade, acção. Fome, ar, vida. Suor, sangue, lágrimas. Inteligência, consciência, voz. (etc.)

De todas as formas em que três vértices são cúmplices, há uma que ao homem parece não aplicar-se. Não funciona... Simplesmente não funciona.

Egoísmo, inveja, ódio.

Este é um dos poucos conjuntos que me faz confusão, porque resume-se a três eus muito íntimos. Qualquer observação sobre relações, cujo triângulo, contenha um vértice deste trinómio, sumariamente, não funciona. E nestes casos a máxima “três é demais” faz todo o sentido, porém vai contra as leis da Natureza… onde o triângulo devia ser harmonioso.

O homem é conflituoso, não consegue, não pode ser harmonioso. Seria contra a sua natureza, tão peculiar que é!

Recordando a minha impressão sobre os meus Eus e como os identifico, o meu eu é egoísta, o outro eu é o invejoso, e, finalmente, o eu: O eu, que cada um reconhece em si, e não menos voltado para o seu umbigo. Assim, observo que os triângulos humanos, são formas de manifesta expressão egoísta:

Tu, ele, eu. Amor, amizade, eu. Eu, eu, eu!

 

Parece que o homem não se aguenta a si próprio. Excede-se em inconsciência.

Tudo gira à nossa volta. Somos a antítese da arquitectura que a física tenta decompor matematicamente. Somos o desequilíbrio voluntário da Natureza.

E porque escrevo sobre isto? Muito simplesmente porque fascina-me a forma como lidamos com o excesso de nós próprios. Precisamos de sofrer para ter consciência de que somos felizes, e acho curioso como a nossa forma “natural” de sofrer depende do excesso que levamos de nós próprios.

Mais interessante é a “fé”, ferramenta minuciosa, concebida para controlar e enfatizar os excessos de nós próprios. Somos pecadores e, lá está, inconscientes! A beleza do Homem está exactamente naquilo a que chamamos religião!

Recordando o início, sobre triângulos e a sua harmonia, coerentemente devíamos ser adeptos do equilíbrio gratuito que os triângulos das relações nos proporcionam, porém não conseguimos. Uns chamam-lhe ciúme, outros é espírito competitivo, outros dizem ser egocentrismo, etc. e tal… Em suma somos uns egoístas de primeira e defendemos a partilha, a igualdade e a paridade. Fascinante.

 

Não sei se ficar contente, ou não, por ser assim… mas concluo que o homem é um verdadeiro caos! Se as leis da física fossem decididas pelo homem, agora, ser-me-ia impossível dissertar sobre isto pois o triângulo não existiria, uma vez que… um é pouco, dois é bom e três… é demais, porém perfeito!

Obrigado All Mighty God!

sábado, 3 de novembro de 2007

Porque perguntar não ofende!

Sim? Não? Porquê?

Fazer uma pergunta é fácil. Responder também.
Fazer uma pergunta difícil é menos fácil. Responder continua a ser fácil.
Fazer a pergunta certa no momento certo é complicado. Responder não.

A resposta é sempre possível. Basta haver uma pergunta para haver uma resposta. Certa ou errada, a resposta existe. E porque perguntar não ofende, vou colocar uma pergunta que já coloquei em tempos e que não tive nenhuma resposta satisfatória.

Numa só palavra, consegues responder a esta pergunta sem um "sim" ou um "não", de forma objectiva?

Responder aqui!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Peço desculpa... e não é para justificar nada!

Não gosto de dar justificações. Considero-as inúteis e autênticas perdas de tempo. Por uma questão de princípio sou adepto da noção de responsabilidade e integridade.
As justificações sugerem ser meras tentativas de reposição de uma verdade/realidade cuja interpretação é relativa, ou seja alheia aos poderes e interesses de quem as dá.
Tentar é pouco, é muito pouco.
A acção justificar parece ser antagónica à noção de responsabilidade. Ou mantemos uma posição credível e firme, ou perdemo-nos por argumentos relativos na esperança de obter a mesma posição credível e firme. Tão complicado de alcançar senão mesmo impossível. Isto é: ou temos credibilidade ou dizemos que temos credibilidade.
Justificações fundamentadas com factos concretos e não prováveis aceito como extensão de uma noção de responsabilidade e visão razoável para o que se pretende, porém não deixa de ser relativo, quando a interpretação da acção está sujeita a terceiros e só a estes.

Assumir a responsabilidade é mais fácil de dizer que aplicado à prática. Mas será mesmo? Um erro é um erro. Não é algo definitivo. O senso comum devia ser peremptório na sugestão em que um erro assumido pode ser corrigido e que um erro ignorado não. Infelizmente tal não parece ser verdade.
Diria que, porque a mentalidade obedece a padrões sociais, estes deseducam o senso comum. Ou pelo menos não educam. O resultado é a disparidade entre o que se diz e ou que se faz ouvir. A credibilidade dificilmente é sustentável quando há um receio omisso, face às vicissitudes adversas dos vários exemplos que a vida apresenta sem pré-aviso. A falta de senso, a falta de um juízo de valores, a falta de integridade faz dos princípios uma anedota. Por conseguinte, é absurdamente, tolerável que alguém não assuma determinados erros: ou porque não se justifica; ou porque são erros menores; ou porque se tem medo;... ou porque os ignora.
Perante uma pessoa assim, o justificar é igual a zero. Se eu não sei o que é chover, vou compreender que há chuva? Claro que não! E isso faz de mim um idiota? Claro que sim!... mas para quem observa, parece que não.

Faz sentido haver justificações?
O justificar, ou não, é devido a quem nos merece respeito. E merecer não é o mesmo que dever, concluo.

Tal como eu, no fundo, acho que as pessoas, não percebem a diferença entre o justificar e o assumir de um erro... tal como eu!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Porque confio III

A relação entre o Outro eu com os outros tem algo de muito curioso: A reciprocidade.
A mímica é natural. É inato. E inconsciente!
Se sorrir recebo um sorriso de volta. É assim tão simples. Voluntário ou não, tudo o que é bom terá, regra geral, uma resposta agradável. Claro que isto depende da empatia envolvente, mas uma não depende exclusivamente da outra. Ou seja, a resposta não depende só da empatia.

A consciência de si permite brincar com isto. A reciprocidade tem truque... e em vez de pensar no bom, gosto de reparar no mau. Se alguém assume um comportamento negativo? A resposta é necessariamente negativa?
Com ou sem empatia, a negatividade na comunicação tem dois caminhos a seguir: ou sobe até explodir ou, face a uma resposta bem disposta, anula-se.
A questão de fundo que coloco é: Quem é reciproco a quem?
A importância disto permite compreender onde começa o truque.

Se eu mentir, é natural concluir que estou sujeito levar com falsas verdades. Talvez a obsessão seja minha. Talvez!
Não gosto que me mintam, por conseguinte, não minto. Não gosto de segredos, não gosto de ocultar o que é objectivo ou de importância relevante para mim. Com a reciprocidade, observo que consigo manter verdades. Se for verdadeiro, terei a verdade como resposta.
Sinto-me bem por saber que não vivo em realidades paralelas.

... é talvez por isto que confio! Odeio a mentira. Odeio a desconfiança. A partir do momento em que assumo as minhas responsabilidades, em que respondo por elas sem medo, não tolero que sejam diferentes em relação a mim. E isto faz de mim a pessoa mais idiota à face da terra. Eu sei que sou. Felizmente tenho noção desta parte, apenas custa ter noção do outro lado da verdade: A falsa verdade.
A reciprocidade é curiosa. E então... Porque confio?



Confio porque sou ingénuo!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Porque confio II

A sinceridade pressupõe a verdade. Mas uma mentira pode ela também ser sincera, e assim, quando é que é mentira, e não é verdade?
Regresso à estáca zero e pergunto-me, depois de tentar perceber porque se mente, afinal o que é uma mentira?
Mentira é uma realidade paralela.

Se considerar que há uma realidade e que esta é a verdade absoluta, a mentira será o paralelo cujo infinito (ponto de convergência) será o mentiroso. Vou fazer isto de forma figurativa:
Imaginemos uma linha de tempo contínua. Imaginemos duas pessoas: Eu e o mentiroso. Ambos estamos na mesma linha de tempo. Esta será a verdade absoluta.
Agora imaginemos um ponto X a meio da linha dada. Neste ponto estou eu e o mentiroso. Será o presente, a linha que está antes é o passado, e a que continua, evidentemente, o futuro.
As mentiras são sempre sobre algo que aconteceu ou que devia ter acontecido, por outras palavras, é sempre sobre o passado, portanto o paralelo é desenhado no passado. Imaginemos uma linha paralela com o passado, e a sua convergência será com o ponto X.
Esta linha de tempo, é para todos os efeitos, uma realidade. A partir do momento em que se mente, obtemos uma linha de tempo falsa, mas nada impede que exista (se não pudesse existir, a mentira não faria sequer sentido).
O mentiroso é o ponto de convergência, só ele tem noção de ambas as linhas de tempo. Eu permaneço na mesma linha de tempo, mas o mentiroso terá que perspectivar ambas as linhas de tempo de modo a sustentar a 2ª parte da linha. O futuro.
Eu estou confortável, o mentiroso não.

Portanto a mentira é uma realidade que não aconteceu, porém realidade.
Se eu omitir alguma coisa, é mentira? sim e não!
Não, porque não criei uma segunda realidade, apenas optei por não expor a minha linha de tempo. Já se alguém perguntar algo em concreto e mesmo assim omitir uma parcela, estou a criar uma segunda linha de tempo, no qual não existe essa parcela, e aqui já é mentira. Em todo o caso, é muito relativo. Convém haver objectividade para determinar se é ou não mentira, e como não pretendo ser entendido no assunto, prefiro optar por é mentira. Talvez porque se suspeito de algo, sou objectivo, pergunto até à exaustão para saber até que ponto a omissão se deve a uma parcela ou a um todo, em si, inocente...

terça-feira, 3 de julho de 2007

Porque confio I

Mentir virtude ou defeito?
Talvez seja bom questionar antes porque é que se mente.
As pessoas mentem porque são egoístas. Mentem sempre em conveniência própria. Em função do seu eu.
É rápido, é fácil, e, quando se tem a ideia que ninguém conseguirá descobrir a verdade, fica uma sensação falsa de segurança... é tudo uma questão de eu, eu e eu.
Se não quero magoar alguém, EU minto.
Se um amigo pedir para mentir, EU minto (porque EU quero agradar o amigo).
Se ela fizer muitas perguntas, EU minto.
Se não quero que me aborreçam, EU minto.
Se quiser algo e for necessário, EU minto!
Etc... etc...

A natureza humana distingue-se pela consciência de si próprio. Mentir é um reflexo dessa condição. É o que nos torna diferentes dos animais irracionais. Temos a capacidade, singular, de mentir quando queremos, não importa se para nos proteger a nós próprios, se para proteger quem nos é próximo, mentimos porque nos convém, a nós e só a nós. É este egoísmo que decide no momento se mentimos ou não. Os animais têm camuflagens que usam por instinto, nós temos a mentira por consciência egoísta.

Como em tudo, há casos e casos. Em alguns deles, a noção exacta da real utilidade da mentira pode revelar-se como um princípio virtuoso. Pode fazer bem à auto-estima, pode, sem dúvida, salvaguardar outras pessoas de desilusões desnecessárias, pode muita coisa... porém não concordo que seja possível identificar como uma virtude. Mentir é o 1º passo para nos enganarmos a nós próprios. Ao mentir mentimos a nós próprios, e isto não é bom. É a tal noção de falsa segurança. Não me parece ser sustentável "crescer" com uma noção errada de confiança, e mentir é o mesmo que não confiar em nós próprios.
Por outro lado, não consigo encarar a mentira, ou a acção de mentir, como um defeito. Saber mentir é uma arte. E a arte de bem mentir não é defeito. Mentir mal e de forma inconsciente pode revelar-se um defeito, mas só nesses casos... de resto não é defeito, é saudável.

Sei que não gosto de mentiras. Sei que não gosto de mentir. Afirmar que não minto, seria mentira, porém afirmar que minto seria tão falso como o contrário. Talvez porque tenha a noção que não sustento mentiras. Gosto de esclarecer e ficar esclarecido. Detesto redundâncias, e as mentiras dão origem a redundâncias... exactamente porque não são sustentáveis, pelo menos ad eternum...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

AlfmaniaK: O nome!

Google it: AlfmaniaK

Que se desmistifique o nome, o nick, o AlfmaniaK:
(1996)
Na minha adolescência fui para Londres. Fiquei alojado em casa de britânicos por uma semana, onde teria que experimentar e adoptar os hábitos londrinos. Tudo muito divertido, excepto os limites da língua.
Não havia problemas em comunicar. Sempre fui fluente em Inglês, porém mexia comigo ser tratado por Frank. Segundo eles, Afonso é um nome complicado, mesmo difícil de pronunciar. Como entenderam que a fonética do meu nome sugeria ser nórdico, acharam por bem, tratar-me por Frank. Era mais fácil. Filhos da p…

Claro que me senti incomodado e procuramos uma solução intermédia. Do espanhol Alfonse ao Alf, foi um pulinho de nada. Assim nasceu a primeira expressão deste nome: Alf.
Aliás: Alf, the film maker.
Na altura adorava fazer filmes. Perdia-me em horas de filmagens entre amigos, e outras tantas horas em estúdios da escola a fazer curtas, experiências, etc… literalmente era tratado por: Alf, the film maker.

De regresso a casa, a alcunha Alf, manteve-se. Era tratado por Afonso na generalidade, mas o meu carimbo era Alf. Fiz graffiti, o tag era Alf. Desenhava, a assinatura era Alf. Comecei a ficar preso a este nome, como um subterfúgio do Afonso. Alf era um segundo Afonso, mais íntimo.

Depois veio a internet. O meu primeiro mail não aceitou o Alf. Talvez por ser curto demais ou porque já estava em uso, então comecei a estender o nome. alfmania@mailcity.com; alfmail@clix.pt; alfmaster@... Etc etc etc. Isto marca a origem das pequenas variações do meu nick.
Depois encontrei o mIRC. De início usava o Alfmania. Sempre. Depois surgiu o registo obrigatório. Alfmania já estava registado, portanto procurei novas alternativas.

Como surgiu o “K”…

Confesso que não me recordo ao certo, mas a ideia de maniac, vem dos desenhos animados Animaniacs. Sempre fã de Spielberg, na altura era uma vertente do realizador/produtor nova. Portanto o meu registo começou por um Alfmaniac. Numa questão de dias ou horas, surgiu o K (1999). Gostei da estética conseguida com as maiúsculas:

AlfmaniaK


O percurso deste nome é, hoje em dia, para mim surpreendente. Faz parte de mim. Muito aliado à internet, sinto-me autêntico. Presunção minha? Talvez, mas é a minha identidade.

Identidade. Resume-se tudo a uma questão de identidade. Os nomes parecem moldar-se às pessoas, quando na realidade são estas que se moldam ao seu nome.
Com a internet tenho a ideia que consegui forjar uma imagem de bits e bytes do Afonso que sou. A linha que separa o “Eu” do “Outro Eu” é muito ténue. Sem querer moldei um nome. Não fui eu que cresci com o nome, mas foi o nome que cresceu comigo. Gosto.
AlfmaniaK é tão único e singular como eu sou. É o meu nome. Aqui, é o meu nome.
E o teu nick? Qual é a sua história?

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O Eu, o meu Eu e o outro Eu

AlfmaniaK

Sou uma só pessoa. Tal como toda a gente tenho um Eu que, supostamente, é comum em todas as situações. Mas tal não se verifica, dependendo do grupo, do género, da intimidade, do histórico o Eu que me caracteriza parece ser diferente. Poderei definir o diferente como estados de espírito, sendo nuns casos o Eu alegre, o Eu divertido, o Eu conversador, o Eu parvo, o Eu chato, o Eu informático, o Eu, o Eu, o Eu, etc...

Recentemente, num grupo onde prevalece o Eu bem disposto e divertido, verifico que me sinto só. O que sinto não era novo, e coexistia com os vários Eus que identifico, portanto comecei a pensar: Se “sentir-me só” é de facto um estado de espírito, e prevalece sobre os outros, o que são estes últimos senão apenas um reflexo do ambiente em que me encontro? A reflexão levou-me a identificar-me e reconhecer o Eu que há em mim.
Apenas um Eu seria mentira, o normal é dizer-se que há dois... e outros vão mais longe e identificam vários como citei acima. Num processo de simplificação verbal constatei que tenho claramente três Eus. Que coabitam seja em que circunstância for, e com quem quer que seja. Então vejamos a minha identidade, e que qualquer um possui em traços semelhantes:

O Outro Eu
Este será o Eu pelo qual todos avaliam se gostam ou não de mim. É o Eu visto por vocês. Considero que nas relações, este é o Eu pelo qual as pessoas se apaixonam. Ou odeiam.

O Meu Eu
Este é o Eu egoísta. Todos nós somos incondicionalmente egoístas. Da boca para fora podemos ser muita coisa, mas na hora H este é o Eu que manda. Este é o que decide sim ou sopas. É a força interior. O que nos dá pujança e que se está a “cagar” literalmente para o resto.

E finalmente, o Eu
Este é o Eu que nós conhecemos de nós próprios. É este o Eu com que crescemos, vivemos e morremos. Existe num estado oculto, escondemos dos outros este Eu. Alguns lá conseguem vê-lo, diria que esses são as pessoas ditas especiais na vida.

Para distinguir os Eus atribuí-lhes os meus nomes, assim: o Outro Eu é o Afonso que todos conhecem; O Meu Eu será o Ego invejoso, ciumento, e claro está, egoísta; E finalmente o Eu: AlfmaniaK.
Chamo este último de AlfmaniaK porque é com este nome que identifico tudo o que me fez, tudo o que faço porque eu quero. Porque foi assim que cresci e aprendi a pensar, a ver o mundo.

Se me senti só, foi este AlfmaniaK que se sentiu perdido... Ela que, melhor que ninguém, deveria saber lê-lo, saber encontrá-lo, saber falar com ele... abandonou-o. Sinto-me sózinho.
Sou uma pessoa só.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Uma sala para todos...

Todas as relações têm os seus altos e baixos, alguns mais saudáveis que outros, alguns com mais significado que outros e, finalmente, alguns mais graves que outros.
Por saudável entenda-se que são as discussões, os arrufos e/ou mal entendidos que, para o bem e para o mal, contribuem na construção da relação, enaltecendo valores, firmando certezas... ensinando ambos a aceitarem-se como são.
Por significados, direi que são aqueles que ficam na memória. Sempre. Não se perdem e não são recorrentes aquando deste ou daquele episódio, estão sempre presentes.
Por gravidade serão as divergências, os episódios, as fases que de uma forma ou outra, dão origem a consequências. Pontos de viragem e sem retorno. Quanto mais grave pior a consequência... e se com isto houver precedentes, então é caso para dizer “caldo entornado”.

Para ter consciência dos altos e baixos que experimento, seja qual for a relação (casal enamorado, casamento, paixão, amizade, etc.), procuro sempre construir um espaço figurativo que ajuda à abstracção do momento, facilitando a sua compreensão através de analogias simples. Espaço esse que deverá ser comum aos dois envolvidos. Dois ou mais, pois há relações para tudo.

Hoje pretendo expor a minha percepção de uma vida a dois. A qual encaixo numa sala.
Sala para dois!

Imagine-se uma sala totalmente vazia. Quatro paredes nuas. Um chão lustroso, brilhante e sugestivamente atraente a ser pisado. A sala é simples, bonita, bem cheirosa. Omissa em decoração e ainda assim cheia de tudo.
De um lado estou eu. Do outro ela.
A relação desenvolve-se sobre aquele soalho. É a plataforma que sustenta a relação. Sem ele não haveria nada, portanto é necessário estimá-lo. Em equipa, devemos mantê-lo limpo. Puxar o lustro diariamente, para que a sugestão de permanecer ali, sobre ele, se mantenha. As paredes definem o espaço. O limite da relação... (não aconteça haver um espírito aventureiro, e decidir caminhar por um soalho sem fim, tão bonito que ele é, em direcções opostas)
As paredes são fundamentais. E convém mantê-las limpas, e intactas. Mas não muito limpas, pois podem ocultar o brilho do soalho, e tal não seria bom, pois pode cada um voltar-se para a sua parede.
A riqueza de uma relação pode definir os materiais. Quanto melhor, mais refinada será a madeira do soalho.
Definido o espaço, que se compreenda a relação. Durante os primeiros tempos, a sala mantém-se naturalmente limpa, e sempre bonita. É então que surge um arrufo. É como se alguém deitasse uma cinza de cigarro para o chão. Um dos dois deverá limpar o que aconteceu. Ignorar seria absurdo uma vez que a cinza iria ficar ali sabe-se lá até quando. A curiosidade a reter, é verificar, na relação, quem é que vai limpar o quê: Se cada um apenas limpa o que suja, ou se um, ou ambos, é altruísta ao ponto de limpar o que o outro fez. Adiante.
A sala é bonita, esplendorosa... contudo, ambos não conseguem ver tudo o que há de bom à volta. Só aquela cinza ordinária. É um arrufo. A Cinza veio estragar a harmonia. Mas será assim tão significativa? Relativizar é bom? Afinal a sala é mais bonita que a cinza, porque não conseguimos ver a sala no seu todo e só a cinza? De facto as nódoas conseguem ser mais evidentes que o resto do pano. Mas porque é que o oposto não se verifica?

Consideremos que relativizar é bom, e que com o tempo a cinza, desaparece.
Bom, a cinza nunca chega a desaparecer, simplesmente espalha-se de tal forma que não é visível a olho nu, mas está lá. Se sobre esta caírem outras e mais outras, a sala vai ficando cada vez mais suja. E quando o soalho estiver totalmente coberto, a beleza dele é que desaparece de facto. A magia vai-se. Assim são as relações.
Recuando um pouco, observemos o chão quando está quase todo sujo, onde é possível observar um pedaço dele com o seu brilho natural, aquela riqueza que o definia. Porque é que aqui, em oposição do soalho limpo com uma cinza, não conseguimos observar só o que está limpo em detrimento do que está sujo. Se o normal da harmonia é estar sujo, o que está limpo deveria destacar-se, mas tal não acontece.

Esta ideia de tornar figurativo ajuda-me a compreender que gostamos ou há uma tendência inata em olhar para a porcaria. Para o que está sujo. Porquê? Talvez porque é mais fácil, talvez porque a relação já estava condenada… ou talvez porque precisamos sofrer. Não se afirma isto de forma fácil, mas parece-me ser esta a conclusão. Numa relação precisamos de porcaria a tapar-nos os olhos, sem ela não saberíamos procurar o que realmente queremos e o que realmente nos sabe bem.

Assim compreendo que é importante ter consciência (activa) do que pretendo valorizar de facto. E sim, relativizar é bom desde que olhe para o lado correcto da questão. Parece óbvio, mas não fácil.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

QI Vs QE

Ser inteligente permite gerir melhor as suas emoções?
Afinal qual a relação entre inteligência cognitiva e
inteligência emocional?


Eu e a Inteligência Emocional - Mira 03/2007

Sobre as emoções, a minha posição é, tal como a de todos, basicamente empírica. E tendo dúvidas sobre qual a origem das emoções: exterior, racional ou física/biológica, esta última parece ser a mais comum. E mesmo assim este ponto de origem não acontece forma isolado.
Em muitos casos (grande maioria) a nossa capacidade única de ser consciente auxilia à reacção e/ou expressão da emoção em si. Aliás, em última análise, a origem enquanto factor exterior (dor de picar-se num espinho) ou simplesmente racional (insulto voraz), resultam num desencadear de libertação, por exemplo da adrenalina, logo a origem da reacção emocional seria ela também física/biológica.
Depois no campo das emoções há aquelas que são completamente dúbias, dando como origem algo que a razão desconhece, porém cerebrais.
Ultimamente têm sido publicados estudos sobre qual a verdade sobre as emoções. Por exemplo o sentimento de paixão? É físico ou emocional? Vamos mais longe, o amor? É físico ou emocional?

Daniel Goleman e o livro "Inteligência emocional"... ainda não o li (ooops), mas já tive oportunidade de o folhear e tenho um ou dois apontamentos a fazer: É de 1995. Embora bem escrito, estruturado e de fácil leitura, ainda corresponde ao desabrochar da inteligência emocional. Está portanto um pouco fora de época. A ciência, há altura do livro, era muito virgem na área das emoções, de lá para cá já se fizeram estudos e continuam a ser feitos estudos.
Outro ponto a referir é que o livro sugeriu-me ser um pouco de coincidências, como os astros e afins. Isto é, ao ler o leitor identifica-se de imediato com o descrito sugerindo oportunamente que a solução neste caso ou naquele deveria ser assim ou assado. Algo que na maioria dos casos chegamos a essa mesma conclusão depois e tarde demais. Esta minha opinião sugere, então, que o livro tem algo de acertado, mas penso que é por isso mesmo que ele se revela um pouco falacioso.
Atenção, posso estar completamente enganado sobre o livro, recordo que ainda não o li e recomendo, vivamente, a sua leitura (eu vou lê-lo).

Agora sobre a capacidade de gerir ou não as emoções...
Bom, considerando que as emoções são algo de inevitavelmente físicas/biológicas, a nossa capacidade racional sobre elas é praticamente nula. Portanto se dói, dói mesmo, e não é ignorando que a dor passa (recordemos o picar de um espinho). Se há vergonha, é porque há e não é por pensar em evitá-la depois de assumida que deixamos de ruborizar... e finalmente, se alguém soprar ao ouvido umas palavras mais ternurentas, não será a racionalizar a situação que o ritmo cardíaco desacelera. Por outras palavras, não é por conhecer a solução do E8, não é por saber escrever partituras sejam elas de música ou de bits e bytes em C ou outro, nem por saber questionar as questões primárias da vida que algum dia o homem conseguirá gerir melhor ou pior as suas emoções.
A capacidade em controlar ou não as emoções, é na minha opinião, algo que obedece à consciência de cada um. Seria à consciência real de um contexto que em última análise irá influenciar a consequência. A emoção em si. A qual mais tarde pode ser racionalizada.
Gerir emoções não é fácil. Um exercício que proponho é no momento em que se sente ódio, ciúme ou raiva, tentem ter consciência do mesmo e banalizá-lo. É complicado! O que estamos a sentir, já o nosso cérebro reagiu, já temos o "sentimento" a correr pelas veias. Os terminais nervosos já estão alvoraçados. Gerir isto, parece-me ser humanamente impossível, senão estaria a ser hipócrita para comigo mesmo. Gerir o comportamento social sob estas condições é, igualmente, complicado.

Então quando é que as emoções e a inteligência se relacionam?
Depois e tarde demais... ou não. Se de facto soubermos usar a inteligência cognitiva para condicionar o comportamento préviamente (consciencializando-o), mais tarde, a mesma inteligência poderá condicionar as consequências das emoções, porém nunca estas.
Assim, parece-me claro, que indivíduos com uma inteligência acima da média tenham capacidade de gerir as emoções melhor, mas isto depende da sua capacidade de consciencialização. O paradoxo de que isto não se verifica em todos os que sugerem ser intelectualmente superiores diria que, pelo que tenho observado, é que quanto mais inteligente menos se acredita em si (a absorção exterior é maior que a absorção interior). Menos se tem noção do seu eu interior. Ter consciência das emoções, com uma noção errada de si mesmo é o suficiente para que a inteligência não lhe sirva de grande coisa, face a emoções mais cruas.
Mas em suma, sim, um QI elevado devería predispôr alguém a uma melhor capacidade de compreender e gerir as suas emoções...


Fica aqui uma impressão, para reflectir durante o fim de semana... opinem!
Obrigado Sílvia pelo bonito kodak!

quinta-feira, 19 de abril de 2007

O meu big-brother

Quando Orwell escreveu 1984, uma das personagens enigmáticas que se destaca é sem dúvida o Big Brother. Aquele que todos vigia, e por sua vez, que todos adoram.
A capacidade de vigiar só é possível com canais de 2 sentidos. A particularidade desta (Big Brother) é que os canais usados diferem consoante o sentido. Do observador para o observado – Vigia-se. Do Observado para o observador – Adora-se. A assunção passiva do observado é evidente.
Uma investigação rápida sobre esta obra e ficamos a saber que este romance era um aviso para a europa ocidental e mundo, a ser considerado na segunda metade do Séc. XX. (a sombra do comunismo, credo)
O mundo girou, e o conceito mudou. O comunismo fica para trás, e o Big Brother "vira show de tv".

Hoje o conceito de Big Brother está algo mais associado a um controlo coercivo da sociedade, através de meios omissos. Para leigos, é algo simplesmente associado a câmaras de vídeo públicas, utilizadas pelas autoridades de modo a seguirem os nossos passos mais de perto. E isto é o suficiente para assustar muito boa gente com teorias de conspiração, invasão de privacidade, etc etc... venha outro e acrescente um ponto.
Ora, no meu big-brother, o que eu mais receio é este, que já está por toda a parte, e que além de me seguir de perto, segue em tempo real. A comunicação.

Telemóveis. Mails. Telefones. Carros. Cafés. Espaços. Os amigos. A palavra.
Todos os dias, sou seguido e sou seguidor de outros. Todos os dias, a toda a hora alguém sabe onde estou, de onde vim, e para onde vou... até enquanto durmo.
Pensava que a privacidade era algo partilhada, no seu máximo, com o seu parceiro, filhos... e pouco mais. Mas a privacidade que julgava ter, não existe. É um mito.
Qualquer amigo meu, sabe que estou em casa porque falou comigo no MSN, e ao comentar que me vou deitar todos os que se cruzarem com ele, podem ficar a saber para onde vou e donde fui.
Parece obsessivo, mas é desconfortável ter consciência que afinal não estou escondido. Que afinal não tenho um espaço só meu. Que esse espaço é constantemente invadido. E pior, isso acontece, porque eu quero/deixo.
É desconfortável saber que se alguém telefona para casa e não se atende, a mensagem é logo transmitida. «Ele não está em casa. Já saiu.».
Ou alguém ver o carro passar, e reconhece a marca, matrícula o que for. «Olhe, vi agora o AlfmaniaK, passou ali de carro...».
Alguém telefona para o telemóvel, atendes: «Ele está num sítio com barulho. Um bar, talvez!»; não atendes: «Deve estar a conduzir ou num local onde não pode atender»
Sinto-me observado por todos. Julgado por todos. E faço o mesmo a todos.

A maneira como nos observamos fica distorcida diáriamente. Penso que não estou apto a receber tantas informações diferentes sobre a mesma pessoa. A minha imagem dela é distorcida. Faço filmes, crio rótulos e preconceitos. Há quinze anos atrás isto não era possível, ou não era tão fácil. Mas agora…
O mundo por si só já é pequeno, mas estas novas tecnologias da comunicação aliadas à futilidade da nossa essência faz dele um lugar ainda mais pequeno. Será que posso tentar, ou até fingir, que me posso esconder e não revelar mais informação do que a que estou disposto a dar? AlfmaniaK é um escudo que eu tenho. A minha verdadeira identidade não está oculta. Nunca esteve.

Não me queixo. Não posso queixar.
Afinal sou vigiado por todos, e gosto de todos os que me vigiam.

E tu? Deixas que eu te vigie?