Creative Commons License
O conteúdo deste blog está licenciado sob uma Licença Creative Commons.
Mostrar mensagens com a etiqueta emoções. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta emoções. Mostrar todas as mensagens

sábado, 21 de novembro de 2009

Tens razão.

Têm razão. Lá na sua razão, eles têm razão.

Há uma realidade. Por mais que nos desdobremos em interpretações, dificilmente conseguimos realidades diferentes. Ainda assim, de uma forma ou de outra, lá somos levados a crer que há mais realidades.
Não quero, com isto, dizer que não tenhamos noção que só há uma realidade, mas que as pessoas perdem-se na interpretação dessa realidade. E digo interpretação, porque ninguém está apto a conhecer a realidade no seu todo. Ninguém.
A forma como concebemos a realidade baseia-se num processo muito simples de interpretação, que tem origem na percepção daquilo que nos envolve. É natural e parece-me razoável que assim seja. Se conseguíssemos absorver todos os eventos da realidade no seu todo, o mais certo seria dar-se um colapso cerebral. Por uma razão muito simples. A união de todas as pontas soltas, seria tão incoerente que dificilmente conseguiríamos compreender como esse "todo" se conjuga. O certo é que de facto os eventos sucedem-se, alguns como efeito, outros como causa... e outros(?) como qualquer coisa que gostávamos de perceber.
A capacidade de percepção não garante respostas, e tentar compreender ou justificar tudo é, no mínimo, abusivo.

Cada qual tem uma percepção da realidade envolvente e é daqui que interpretam o resto da realidade. Tudo o resto que nos chega de forma não empírica está sujeita à percepção da realidade que nos é próxima. A partir daqui facilmente se conclui que as hipóteses são mais que muitas.
As consequências é que quando confrontados com interpretações diferentes, tendemos a ser sensíveis. Ora se a "realidade" é por si só uma interpretação, a somar a isto uma interpretação que proteja a sensibilidade alheia, resulta numa deturpação tão aguda do todo que, confesso, me assusta.
As pessoas acabam por acreditar no lado mais irreal, mais fantástico, mais romanceado daquilo que é simples.

Sou franco nas minhas opiniões, e custa-me recorrer a eufemismos, ou tomadas de posição só porque alguém acredita que as coisas são diferentes. Não tenho dúvidas que as coisas possam ser vistas de forma diferente, que a percepção e respectiva interpretação seja completamente díspar da minha. Mas a realidade não deixa de ser uma.
E se a forma como interpreto a minha percepção da minha realidade custa a engolir, tanto pior. O tempo dirá se me enganei ou se vai doer ainda mais aos outros. (oxalá que não)
Recuso-me ser falso em detrimento da minha realidade, da minha experiência.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Ego do dia!

Hoje no meu ofício tive um dia bom!

Fui eficaz. Constatei que estive e estou à altura das expectativas para corresponder de forma bem positiva ao que me é exigido.
O que faço, não é o que queria. Sei disso. Por conseguinte, nem coloco a questão se gosto ou desgosto do que faço. Interessa-me saber que sou bom no que faço e como o faço. Acima de tudo, gosto de ter a noção que fui melhor que ontem!

 

O pior desta sensação, aparentemente boa, é que acaba por ser detestável porque o que faço não me interessa...

...em todo o caso, estive bem no meu ofício!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Disparates

 

Pronto, confesso, tenho medo do meu blog.

Ao fim de um ano, tenho medo dele. Tenho medo de publicar o que escrevo.

Porquê? Porque alguém lê! Tão simples como isso. Agora que passou um ano desde que comecei este blog, confesso que sinto-me menos confortável em escrever aqui.

É um disparate, pois isto é um reflexo da minha falta de auto-estima, muito provavelmente associada a uma fase da vida qualquer, mas acredito que disparate maior, seria publicar coisas disparatadas. Pois assumo de ante-mão que ninguém vai perceber ou compreender o que pretendo dizer com o que penso.

Pior que isto, é considerar a remota hipótese de que o, que quer que escrevesse aqui, tivesse um propósito, um objectivo... algum dever em ser percebido ou compreendido por quem tropeça neste cantinho.

É, confesso, tenho medo do meu blog. E isso é um grande disparate!

sexta-feira, 7 de março de 2008

Detalhes... meros detalhes!

 Detalhe

Porque é que faço observações idiotas? Porque é que observo e questiono?

No dia-à-dia reparo em imensas coisas, porém sou distraído. Ainda assim observo. Porque não reparo apenas naquilo que importa? Será que tudo aquilo em que reparamos é importante e que talvez fosse boa ideia reter?

No outro dia, saí de casa para tomar um café. Era coisa para 5 minutos a andar de carro. Sem querer reparei num mudo que conversava com outro mudo… reparei num cego que atravessava a estrada… reparei num pombo morto…

Nisto que reparei e reti, pouco ou nada interessa… no entanto se adicionar o detalhe à coisa…

Os mudos: Um estava do outro lado da estrada, o outro estava numa varanda… talvez no 2º piso… mas conversavam!

O cego: a hora era de ponta, havia carros e mais carros… e, conduzido por um cão, lá atravessava a estrada!

O pombo... jazia morto na estrada… não havia detalhe! Não sei o que questionar, mas reparei.

As inutilidades da vida complementam-se com os detalhes… e na ausência destes, tudo fica tão simples! Acho que não é má ideia, de vez em quando ignorar os detalhes e passar às coisas sérias… tipo viver!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Eufórico...

Ao imaginar sensações, há uma que me tem escapado... até agora!
Euforia.
Bolas, como cansa... e tão básica que é (tal como outros estados emocionais), mas cansativa! Muito cansativa.





Estou em processo de descompressão!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Momento

Luar! Momento!

do Lat. momentu

      s. m.,
            espaço pequeníssimo de tempo;
            ápice;
            instante;
            tempo ou ocasião em que alguma coisa se faz ou acontece;
            ocasião azada;
            lance;
            conjuntura;
            valor;
            importância;


Sendo apologista de querer viver o momento, ultimamente e a par das experiências que tenho passado, reparo que a noção de momento, do presente, do agora, está muito em alta. Muitos defendem a necessidade de abstracção do tempo e que se aproveite o momento. Não falo do Carpe Diem muito próprio da adolescência, mas sim do viver a vida.
Esquecer o passado e evitar a projecção do futuro.

É aqui que começa a minha percepção da realidade. O momento não existe. O momento é um misto entre o minuto seguinte(3) e o minuto anterior(1), mas nunca o minuto que acontece(2).
Infelizmente não sei observar o momento como devia. Por uma razão muito simples, porque quando me apercebo do momento e o procuro sentir ou procuro saber o que sinto, será sempre em função do passado ignorando o que se segue. Ou então, penso no que se segue e ignoro o passado. Isto parece-me completamente errado.

Para se aproveitar o momento, digo eu, a forma mais razoável será tentar sentir o que ainda temos do passado imediato e, em função deste, preparar a recepção para as sensações ou emoções futuras... ignorando o que está a acontecer.

Um beijo.
O momento começa com a sugestão de haver um beijo. Assim que sentimos a sugestão em si, deixamos de estar nesse momento ou parte do momento. Ignoramos esse passado e procuramos o que se segue: O beijo. O momento é falso.
No entender de cada um, a definição de momento será o beijo, mas tudo o que acontece durante, antes e depois são fracções desse momento ou momentos em particular?

O olhar não foi ele um momento? O toque da pele? O sentir do cheiro? A cor dos lábios? Para mim tudo isto são momentos isolados, que construiram outro momento. O beijo.
O que se segue é outra cadeia de momentos, simétricos à forma, mas cadentes na itensidade... O olhar, o toque, o cheiro, o calor, mas tudo como se fosse um fade out.

Descrevi um beijo, mas esta linha de raciocínio transporto para outros pseudo-momentos: Ganhar aposta; Sexo com a melhor amiga, ou com desconhecida, ou com amante, ou em local público, ou em grupo; Festas (mais sexo); Corridas; Promoção; Jantar; Directas; Conhecer gente nova; ouvir aquela música ao vivo; palco...

Só encontro uma razão porque prefiro ignorar o minuto do meio(2), porque sentir envolve interpretação... e eu não quero estragar os meus momentos questionando-os. Interpretando-os. Apenas viver e passar por eles!
Isso mesmo, passar por eles...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

...o branco...

Cláudia:
As provas de amizade também são misteriosas.

Tu marcas... sem querer, tu marcas.

Obrigado!


Sem querer. Sempre sem querer há vazios.
Chamo-lhe espaço em branco.

Outras vezes, sem querer e sempre sem querer estão preenchidos.
E se também for branco? Faz desse espaço uma mentira?
O que julgamos não é o que sentimos, e dificilmente o que sentimos é o que julgamos... e isso é branco!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Parabéns a MIM



Hoje é dia de festa!
Como um puto alegre fico feliz quando este dia chega. Já não são as prendas, nem a festa em si. São as pessoas, que sensíveis ou não à data e à pessoa, gostam e, no fundo, não custa nada dar os parabéns. É sentir-me reconhecido apenas por existir. Poderia descrever o que sinto, o que penso que sinto e mais alguma coisa, mas o que me interessa, na realidade, é ouvir: Parabéns Afonso.

Sem mas nem meio mas. Sem avaliações, sem julgamentos, sem necessidade de causa-efeito. Faço anos, e estou de parabéns. São 28 longos anos que outrora pareceram passar devagar, agora parece ter sido num ápice.

Não me vou alongar. Quero ouvir e ler esses parabéns. Deixo sempre um espaço reservado no meu blog original para esse efeito, e agora convido os bloggers que conheci deste lado da web para darem um salto até lá, e em uníssuno com outros amigos da vida real... Desejar um feliz aniversário. Dar um Parabéns, a este puto alegre que sou eu.

Deixa um comentário ou então vai só espreitar ao meu MSN Space


----------------------------
Adenda:
Agora já podem deixar aqui comentários... obrigado!

terça-feira, 22 de maio de 2007

Amor... ganda m****

Messenger Dezembro 2006:

(...)
AlfmaniaK: um pionese pica o dedo e sentimos dor
AlfmaniaK: ao contrário do amor, nós sabemos e percebemos porque sentimos dor
AlfmaniaK: porque o pico despertou um nervo cuja reacção é enviar a informação de dor para o cérebro para que este reaja de maneira a que possamos acabar com essa dor
AlfmaniaK: no amor
AlfmaniaK: tu conheces uma pessoa
AlfmaniaK: falas com ela
AlfmaniaK: sem se perceber porquê um beijo a essa pessoa tem um sabor diferente
AlfmaniaK: a voz dessa pessoa é diferente
AlfmaniaK: toda essa informação é enviada para o cérebro
AlfmaniaK: mas sem percebermos porquê chamamos a isso amor

AMIGA: «o comportamento da pessoa abandonada se parece com o do drogado na falta de morfina: ansiedade permanente, insônia, irritação, problemas diversos seguidos de uma fase de apatia, prostração e desinteresse pelo mundo.» porra! tudo se resume a anfetaminas

AlfmaniaK: não há fumo sem fogo
AlfmaniaK: as nossas reacções são em última análise físicas
AlfmaniaK: gostava era de saber o que age em função do quê

AMIGA: pois então, não há amor? é tudo inventado pelo nosso hemisfério direito que é o da emoção, da intuição e da estética. certo?

AlfmaniaK: sim, deve ser isso
AlfmaniaK: tal como Deus
AlfmaniaK: é inventado

AMIGA: então é isso, como tu dizes, primeiro o contacto físico que suscita então o emocional depois, ganda merda!
(...)


...pois, ganda merda.
Esta conversa desenvolveu-se à volta das seguintes leituras:
O amor é uma "Droga"
I get a kick out of you (Love Science)
Achei graça à forma como se descobre que afinal, a realidade, não é mais do que alguns neurónios e manifestações cerebrais a deitar por terra aquilo que era do coração. A nossa consciência é o máximo!

sábado, 19 de maio de 2007

Vou mudar!

Acabou-se tudo!
Foi engraçado, mas agora vou mudar. Para o quê? Não sei.
No fundo tenho medo das mudanças. Nunca se sabe se é para melhor ou para pior. Nunca se sabe se é para muito tempo, pouco tempo... ou se é para nada, e para em nada se tornar.

As mudanças são curiosas, despertam a curiosidade do desafio em si, isso gosto. Mas tenho medo. Porque mudo e sem dar por isso, não acontece nada. Fica tudo igual, porém mudo...

...por vezes tenho dúvidas, outras tenho certezas. Vai daí e observo que não saí do mesmo lugar. Enfim...

Acabou-se tudo!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Uma sala para todos...

Todas as relações têm os seus altos e baixos, alguns mais saudáveis que outros, alguns com mais significado que outros e, finalmente, alguns mais graves que outros.
Por saudável entenda-se que são as discussões, os arrufos e/ou mal entendidos que, para o bem e para o mal, contribuem na construção da relação, enaltecendo valores, firmando certezas... ensinando ambos a aceitarem-se como são.
Por significados, direi que são aqueles que ficam na memória. Sempre. Não se perdem e não são recorrentes aquando deste ou daquele episódio, estão sempre presentes.
Por gravidade serão as divergências, os episódios, as fases que de uma forma ou outra, dão origem a consequências. Pontos de viragem e sem retorno. Quanto mais grave pior a consequência... e se com isto houver precedentes, então é caso para dizer “caldo entornado”.

Para ter consciência dos altos e baixos que experimento, seja qual for a relação (casal enamorado, casamento, paixão, amizade, etc.), procuro sempre construir um espaço figurativo que ajuda à abstracção do momento, facilitando a sua compreensão através de analogias simples. Espaço esse que deverá ser comum aos dois envolvidos. Dois ou mais, pois há relações para tudo.

Hoje pretendo expor a minha percepção de uma vida a dois. A qual encaixo numa sala.
Sala para dois!

Imagine-se uma sala totalmente vazia. Quatro paredes nuas. Um chão lustroso, brilhante e sugestivamente atraente a ser pisado. A sala é simples, bonita, bem cheirosa. Omissa em decoração e ainda assim cheia de tudo.
De um lado estou eu. Do outro ela.
A relação desenvolve-se sobre aquele soalho. É a plataforma que sustenta a relação. Sem ele não haveria nada, portanto é necessário estimá-lo. Em equipa, devemos mantê-lo limpo. Puxar o lustro diariamente, para que a sugestão de permanecer ali, sobre ele, se mantenha. As paredes definem o espaço. O limite da relação... (não aconteça haver um espírito aventureiro, e decidir caminhar por um soalho sem fim, tão bonito que ele é, em direcções opostas)
As paredes são fundamentais. E convém mantê-las limpas, e intactas. Mas não muito limpas, pois podem ocultar o brilho do soalho, e tal não seria bom, pois pode cada um voltar-se para a sua parede.
A riqueza de uma relação pode definir os materiais. Quanto melhor, mais refinada será a madeira do soalho.
Definido o espaço, que se compreenda a relação. Durante os primeiros tempos, a sala mantém-se naturalmente limpa, e sempre bonita. É então que surge um arrufo. É como se alguém deitasse uma cinza de cigarro para o chão. Um dos dois deverá limpar o que aconteceu. Ignorar seria absurdo uma vez que a cinza iria ficar ali sabe-se lá até quando. A curiosidade a reter, é verificar, na relação, quem é que vai limpar o quê: Se cada um apenas limpa o que suja, ou se um, ou ambos, é altruísta ao ponto de limpar o que o outro fez. Adiante.
A sala é bonita, esplendorosa... contudo, ambos não conseguem ver tudo o que há de bom à volta. Só aquela cinza ordinária. É um arrufo. A Cinza veio estragar a harmonia. Mas será assim tão significativa? Relativizar é bom? Afinal a sala é mais bonita que a cinza, porque não conseguimos ver a sala no seu todo e só a cinza? De facto as nódoas conseguem ser mais evidentes que o resto do pano. Mas porque é que o oposto não se verifica?

Consideremos que relativizar é bom, e que com o tempo a cinza, desaparece.
Bom, a cinza nunca chega a desaparecer, simplesmente espalha-se de tal forma que não é visível a olho nu, mas está lá. Se sobre esta caírem outras e mais outras, a sala vai ficando cada vez mais suja. E quando o soalho estiver totalmente coberto, a beleza dele é que desaparece de facto. A magia vai-se. Assim são as relações.
Recuando um pouco, observemos o chão quando está quase todo sujo, onde é possível observar um pedaço dele com o seu brilho natural, aquela riqueza que o definia. Porque é que aqui, em oposição do soalho limpo com uma cinza, não conseguimos observar só o que está limpo em detrimento do que está sujo. Se o normal da harmonia é estar sujo, o que está limpo deveria destacar-se, mas tal não acontece.

Esta ideia de tornar figurativo ajuda-me a compreender que gostamos ou há uma tendência inata em olhar para a porcaria. Para o que está sujo. Porquê? Talvez porque é mais fácil, talvez porque a relação já estava condenada… ou talvez porque precisamos sofrer. Não se afirma isto de forma fácil, mas parece-me ser esta a conclusão. Numa relação precisamos de porcaria a tapar-nos os olhos, sem ela não saberíamos procurar o que realmente queremos e o que realmente nos sabe bem.

Assim compreendo que é importante ter consciência (activa) do que pretendo valorizar de facto. E sim, relativizar é bom desde que olhe para o lado correcto da questão. Parece óbvio, mas não fácil.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

QI Vs QE

Ser inteligente permite gerir melhor as suas emoções?
Afinal qual a relação entre inteligência cognitiva e
inteligência emocional?


Eu e a Inteligência Emocional - Mira 03/2007

Sobre as emoções, a minha posição é, tal como a de todos, basicamente empírica. E tendo dúvidas sobre qual a origem das emoções: exterior, racional ou física/biológica, esta última parece ser a mais comum. E mesmo assim este ponto de origem não acontece forma isolado.
Em muitos casos (grande maioria) a nossa capacidade única de ser consciente auxilia à reacção e/ou expressão da emoção em si. Aliás, em última análise, a origem enquanto factor exterior (dor de picar-se num espinho) ou simplesmente racional (insulto voraz), resultam num desencadear de libertação, por exemplo da adrenalina, logo a origem da reacção emocional seria ela também física/biológica.
Depois no campo das emoções há aquelas que são completamente dúbias, dando como origem algo que a razão desconhece, porém cerebrais.
Ultimamente têm sido publicados estudos sobre qual a verdade sobre as emoções. Por exemplo o sentimento de paixão? É físico ou emocional? Vamos mais longe, o amor? É físico ou emocional?

Daniel Goleman e o livro "Inteligência emocional"... ainda não o li (ooops), mas já tive oportunidade de o folhear e tenho um ou dois apontamentos a fazer: É de 1995. Embora bem escrito, estruturado e de fácil leitura, ainda corresponde ao desabrochar da inteligência emocional. Está portanto um pouco fora de época. A ciência, há altura do livro, era muito virgem na área das emoções, de lá para cá já se fizeram estudos e continuam a ser feitos estudos.
Outro ponto a referir é que o livro sugeriu-me ser um pouco de coincidências, como os astros e afins. Isto é, ao ler o leitor identifica-se de imediato com o descrito sugerindo oportunamente que a solução neste caso ou naquele deveria ser assim ou assado. Algo que na maioria dos casos chegamos a essa mesma conclusão depois e tarde demais. Esta minha opinião sugere, então, que o livro tem algo de acertado, mas penso que é por isso mesmo que ele se revela um pouco falacioso.
Atenção, posso estar completamente enganado sobre o livro, recordo que ainda não o li e recomendo, vivamente, a sua leitura (eu vou lê-lo).

Agora sobre a capacidade de gerir ou não as emoções...
Bom, considerando que as emoções são algo de inevitavelmente físicas/biológicas, a nossa capacidade racional sobre elas é praticamente nula. Portanto se dói, dói mesmo, e não é ignorando que a dor passa (recordemos o picar de um espinho). Se há vergonha, é porque há e não é por pensar em evitá-la depois de assumida que deixamos de ruborizar... e finalmente, se alguém soprar ao ouvido umas palavras mais ternurentas, não será a racionalizar a situação que o ritmo cardíaco desacelera. Por outras palavras, não é por conhecer a solução do E8, não é por saber escrever partituras sejam elas de música ou de bits e bytes em C ou outro, nem por saber questionar as questões primárias da vida que algum dia o homem conseguirá gerir melhor ou pior as suas emoções.
A capacidade em controlar ou não as emoções, é na minha opinião, algo que obedece à consciência de cada um. Seria à consciência real de um contexto que em última análise irá influenciar a consequência. A emoção em si. A qual mais tarde pode ser racionalizada.
Gerir emoções não é fácil. Um exercício que proponho é no momento em que se sente ódio, ciúme ou raiva, tentem ter consciência do mesmo e banalizá-lo. É complicado! O que estamos a sentir, já o nosso cérebro reagiu, já temos o "sentimento" a correr pelas veias. Os terminais nervosos já estão alvoraçados. Gerir isto, parece-me ser humanamente impossível, senão estaria a ser hipócrita para comigo mesmo. Gerir o comportamento social sob estas condições é, igualmente, complicado.

Então quando é que as emoções e a inteligência se relacionam?
Depois e tarde demais... ou não. Se de facto soubermos usar a inteligência cognitiva para condicionar o comportamento préviamente (consciencializando-o), mais tarde, a mesma inteligência poderá condicionar as consequências das emoções, porém nunca estas.
Assim, parece-me claro, que indivíduos com uma inteligência acima da média tenham capacidade de gerir as emoções melhor, mas isto depende da sua capacidade de consciencialização. O paradoxo de que isto não se verifica em todos os que sugerem ser intelectualmente superiores diria que, pelo que tenho observado, é que quanto mais inteligente menos se acredita em si (a absorção exterior é maior que a absorção interior). Menos se tem noção do seu eu interior. Ter consciência das emoções, com uma noção errada de si mesmo é o suficiente para que a inteligência não lhe sirva de grande coisa, face a emoções mais cruas.
Mas em suma, sim, um QI elevado devería predispôr alguém a uma melhor capacidade de compreender e gerir as suas emoções...


Fica aqui uma impressão, para reflectir durante o fim de semana... opinem!
Obrigado Sílvia pelo bonito kodak!